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Trabalhadores, patrões e o país que somos

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EDITORIAL  

No Dia do Trabalhador faz sentido pensar na qualidade do movimento sindical português e nos caminhos percorridos nas últimas décadas, sobretudo porque há, cada vez mais, quem defenda que os sindicatos se transformaram em forças de bloqueio, sistematicamente contra todas as reformas da economia e dos serviços do Estado.

Convenhamos: há alguns sectores, e momentos, em que isto é por demais evidente.

Nem sempre os sindicatos assumem posições apenas sintonizadas com a realidade do mundo de hoje e os interesses dos trabalhadores. Em várias ocasiões cedem a lógicas partidárias, com as do Partido Comunista à cabeça.

Dito isto, é preciso reconhecer que a nossa sociedade seria ainda mais desequilibrada se não existissem sindicatos - e que do lado destes têm vindo alguns bons sinais, como o recente acordo para a evolução do salário mínimo (dos actuais 403 euros para 500 num prazo de cinco anos).

Se, ao contrário do que acontece nos países nórdicos, moldados por um século de concertação social, ainda não é possível assistir por cá a acordos mais frequentes, isso deve-se a culpas de todas as partes.

Sejamos igualmente rigorosos: o mundo empresarial, de forma mais visível fora das grandes cidades, é povoado por demasiados patrões sem escrúpulos.

Existem muitas empresas em que os direitos dos trabalhadores são desprezados porque os donos do capital não têm qualidade, nem cultural nem humana.

E é também infelizmente aí que os sindicatos, tão activos na luta contra o Estado e as grandes empresas, costumam baquear de forma estrondosa, até porque os trabalhadores têm medo e não têm alternativas.

Não estamos a falar de uma luta direita versus esquerda, como é do agrado de certos espíritos minimalistas. Estamos a falar de direitos fundamentais, educação, respeito.

O exercício do sindicalismo melhora com as condições de vida das pessoas.

O aumento da produtividade das empresas joga-se num caldo social em que o patrão é justo e o trabalhador consciente.

Hoje, 1.º de Maio, todos deveríamos pensar um pouco nestas questões porque só com maturidade cívica se pode construir um país melhor. |


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