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A revolução do 25 de Abril faz hoje 33 anos. Idade e tempo para permitir o devido distanciamento nas análises. Está na altura de olhar para o acontecimento sem paixões geracionais ou histerismos políticos, mas sim da forma que merece, que melhor honra e que mais justiça faz ao que se passou naquela madrugada. Tratando o 25 de Abril como um facto histórico.
A data já só é isso mesmo, um marco da história contemporânea do País. E deve ser ensinado nas escolas e passar nas televisões exactamente com esse enquadramento. Da mesma forma que é preciso ter conhecimento sobre a I e a II guerras mundiais, as origens e as consequências, para compreender o que se passa actualmente no mundo, é preciso saber o que fez nascer o movimento das Forças Armadas Portuguesas que destronou a ditadura e repôs a democracia, para entender o que Portugal é hoje.
Três décadas são mais que suficientes para um país ganhar independência relativamente ao passado. Essa é, aliás, a única forma de poder antecipar o futuro. Dispensando ondas de revivalismo e, igualmente, manifestações de indignação.
Para honrar a memória basta acabar com a maldição do último capítulo. E isso não se consegue considerando um escândalo fascista a moda de evocar Salazar, nem vendo como essencial à democracia o tradicional desfile pela Avenida da Liberdade. Basta acabar com a desorganização na educação e fazer com que os professores concluam os programas curriculares e ensinem aos alunos a história recente do País. Essa devia ser a maior herança do 25 de Abril.
P assaram cinco anos desde o lançamento do concurso. Três desde o arranque das obras. A derrapagem orçamental foi grande (mais de três milhões de euros). As polémicas e os prejuízos para os lisboetas maiores ainda. Mas o túnel fez-se e, ainda que com algumas reservas, o dia da inauguração foi anunciado. Carmona Rodrigues e a sua equipa puseram, então, o acento na segurança: "É um dos mais seguros da Europa." Ainda não havia críticas alarmistas, mas provavelmente estavam certos de que elas apareceriam. Foram incapazes de as evitar com mais uns centímetros de passeio e umas bombas de água. Ficaram-se pelas palavras.
O mais grave para os portugueses - porque túneis sob praças como a do Marquês de Pombal ou a da Boavista são de superior interesse nacional - é que a Associação Nacional de Bombeiros Profissionais fez o mesmo. E no seu caso as palavras até teriam tido algum valor, se tivessem sido ditas antes. Agora, esperar anos em silêncio e escolher a véspera da abertura do túnel ao público para lançar meia dúzia de frases alarmistas é apenas uma tentativa demagógica de conseguir um seguro de inocência para o futuro.
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