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"Nada ficará na mesma na política portuguesa"

por

SUSETE FRANCISCO  

"Se fosse para fazer mais do mesmo não estaria aqui. Vou tentar fazer melhor, vou certamente fazer diferente." Paulo Portas fez ontem a primeira intervenção como líder eleito do CDS, evocando uma nova era no partido - é o "início de uma grande caminhada", referiu Portas, para quem as directas de sábado "foram, em certo sentido, uma Primavera para o CDS". Sem especificar metas, o novo presidente centrista - que venceu as eleições com 74,6% dos votos - não escondeu a ambição: "Se conseguirmos, nada ficará na mesma na política portuguesa."

Num discurso feito na sede do partido, em Lisboa, Paulo Portas reconheceu obstáculos pelo caminho. Como os preconceitos que diz ainda existirem contra o partido. E contra si próprio: "Também sei que na sociedade portuguesa há preconceitos contra este vosso amigo. Vou lidar com eles com inteira naturalidade, prestar-lhes atenção e ter alguma ironia, porque na política como na vida é preciso estar nisto com alguma boa disposição."

Falando perante dezenas de militantes, entre os quais se contava boa parte do grupo parlamentar, Paulo Portas deixou uma palavra de saudação ao ex-líder e prometeu ser o presidente "de todos". Foi o pretexto para uma "indirecta" a José Ribeiro e Castro - "Temos de aprender a conviver com a liberdade de opinião e não transformar cada diferença num conflito." No restante, as críticas foram para o primeiro-ministro. Paulo Portas diz-se agora mandatado para combater um "poder socialista que alastra no Estado e quer manipular tudo".

Hoje, reúne-se pela primeira vez a comissão que presidirá aos destinos do partido até ao congresso (marcado para o terceiro fim-de-semana de Maio), no qual será eleita a nova direcção e ratificadas as eleições directas de sábado. A comissão integra, além de Paulo Portas, Luís Queiró, Artur Jorge Bastos, João Rebelo, José Manuel Rodrigues e Artur Lima e Pedro Mota Soares. Em cima da mesa estará já a questão que Paulo Portas elegeu como prioritária durante a campanha para as directas - a liderança do grupo parlamentar.

Um assunto que deverá ficar resolvido o mais tardar na próxima semana, com a realização de eleições. Por agora, a dúvida está entre os nomes de Telmo Correia e Nuno Melo. O primeiro chegou a assumir uma candidatura, mas o acto eleitoral seria cancelado em cima da hora por Ribeiro e Castro. Mas com o afastamento da direcção que forçou a saída de Melo, o nome do ex-líder parlamentar volta também a estar em cima da mesa. |


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