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ABEL COELHO DE MORAIS
O Papa Bento XVI aprovou ontem as conclusões de uma Comissão Teológica Internacional que põe fim ao conceito de limbo, o lugar onde as crianças mortas não baptizadas permaneciam na eternidade, sem possibilidade de comunhão com Deus.
A decisão papal conclui vários anos de estudo sobre o conceito de limbo, considerado por aquela comissão como baseado numa "concepção excessivamente restrita da salvação", pode ler-se nas suas conclusões.
Em 1984, o então cardeal Ratzinger afirmara pronunciar-se, "a título pessoal", pelo fim da "hipótese" de existência do limbo.
O documento assevera que Deus é misericordioso e deseja "a salvação de todos os seres humanos", existindo "fortes bases teológicas e litúrgicas para esperar que, uma vez mortos, os bebés não baptizados são salvos". Desde a Idade Média, ainda que não sob a forma de dogma, o limbo era apresentado na doutrina como um lugar entre o paraíso e o inferno onde permaneciam as crianças mortas sem baptismo.
As decisões da comissão correspondem, de algum modo, ao consagrado no Catecismo da Igreja Católica em vigor, onde se refere estarem à mercê da misericórdia divina as crianças mortas sem baptismo. A comissão considera que este é um tema a urgir uma resposta urgente, atendendo ao número crescente de não baptizados e à percepção da incompatibilidade entre um Deus misericordioso e a radical exclusão da possibilidade de comunhão com Ele dos mortos sem pecado.
Presidida pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal americano William John Levada, a comissão afirma ainda não ser justo castigar as crianças pelo facto de seus pais não serem católicos praticantes ou, mais grave ainda, por lhes ter sido roubado o direito à vida pela prática do aborto.
O documento, que não foi ainda divulgado oficialmente, estava ontem parcialmente disponível no site da agência Catholic News Service, nele se traçando o percurso do pensamento da Igreja na matéria desde Santo Agostinho. | com AGÊNCIAS
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