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por
ÂNGELA MARQUES
Tiveram de aprender o que é um "designador rígido", uma "coerência pragmático-funcional" e um "quantificador universal". Agora, e até 2010, os alunos do 3.º, 5.º e 7.º anos vão voltar aos substantivos, aos complementos e às orações. A adaptação da nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS) a estes anos está suspensa desde ontem. Era uma "experiência pedagógica" do Ministério da Educação, mas correu mal.
É a tutela que o admite, na portaria publicada ontem em Diário da República: houve "dificuldades nas condições científicas e pedagógicas" da generalização desta "experiência piloto" e foram identificados "termos inadequados" na lista aprovada. Como o que está mal é para mudar, decidiu avançar com uma revisão. Só que fê-lo no início do terceiro período, quando milhares de alunos (o número exacto está por conhecer) já começaram a estudar com a nova terminologia.
"O que vai acontecer aos meninos que já aprenderem os novos termos? O que vão fazer quando chegarem às provas? Uns vão responder de uma maneira e outros de outra?" As questões são muitas e são levantadas pela Associação de Professores de Português. Para a vice-presidente Edviges Antunes Ferreira, como a TLEBS não era obrigatória, "os que cumpriram é que serão prejudicados".
Contactado pelo DN, o porta-voz da tutela afirmou que "os alunos continuarão a estudar como até agora, porque o que foi suspenso foi a experiência, não a TLEBS [que faz parte dos programas do secundário, estando a ser adaptada ao básico]". E na hora do exame? "Serão avaliados por aquilo que deram nas aulas."
Mas porquê agora?
O timing da portaria também não é uma questão pacífica para os professores. Sobretudo se recordam que, em Janeiro, o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, afirmou que "seria pouco responsável, a meio do ano lectivo [suspender a implementação que decorre nas escolas]".
É uma incoerência, dizem. "E é grave. Querem que os professores preparem as aulas, mas depois trocam-lhes as voltas a meio do ano", acusa Edviges Ferreira. Só que a decisão até já estava tomada. Menos de uma semana depois das afirmações de Valter Lemos, em Janeiro, o secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, anunciou que o Governo ia suspender a TLEBS em Fevereiro. "Foi em Abril, também foi mau", afirma a vice-presidente.
Depois das críticas, os erros
Testada pela primeira vez em 2005/2006 por 90 professores de 17 escolas do país, a TLEBS esteve este ano a ser trabalhada nos 3.º, 5.º e 7.º anos, numa "experiência generalizada", mas não obrigatória. Previa-se o seu alargamento aos 4.º, 6.º e 8.º anos no ano lectivo 2007/2008 e a sua chegada ao 9.º ano em 2009. Só que pais, encarregados de educação e professores de linguística e literatura contestaram desde o início uma terminologia que consideravam "complicada" e "inadequada".
Álvaro Gomes, pedagogo há mais de 30 anos e impulsionador do movimento nacional de crítica à TLEBS, continua a pensar que "este não era um documento adequado para o ensino básico, embora o ache defensável para o secundário". O recuo do ministério "é um acerto muito grande", afirma. Até porque "saber parar a tempo uma caminhada para o abismo é muito importante".
Para o Governo, foi uma inevitabilidade. Encontrados os erros, o Ministério diz agora que vai rever e adaptar a TLEBS, disponibilizando dois documentos de referência "com recurso a especialistas de reconhecido mérito". Os alunos vão ter de esperar, porque os novos programas das disciplinas de Língua Portuguesa do 5.º ao 9.º anos só estarão prontos em 2010. |
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