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PEDRO CORREIA
Manuel Alegre rompeu ontem o silêncio para se insurgir em termos duríssimos contra a recente campanha do Governo para incentivar a qualificação dos portugueses. Em causa estão os anúncios usados para o efeito: a jornalista Judite Sousa aparece a vender jornais num quiosque e o treinador Carlos Queiroz surge como cortador de relva.
Alegre discorda desta campanha publicitária e não esconde o seu desagrado. "Esta estratégia de comunicação é um desastre. É infeliz, é imprópria de um país democrático", declarou ao DN o histórico dirigente socialista, vice-presidente da Assembleia da República.
O ex-candidato ao Palácio de Belém destaca a importância de se promover a qualificação dos recursos humanos e de se intensificar a promoção da escolaridade. Mas discorda profundamente da "humilhação" de certas profissões implícita nestes anúncios. "O País precisa de todos. Carlos Queiroz e Judite Sousa podem ser excelentes profissionais. Mas o ofício de jardineiro é tão relevante como outro qualquer. Um empregado de comércio ou uma mulher-a-dias são tão dignos como um médico ou um futebolista."
Indignado, Alegre contesta "a cultura do sucesso pelo sucesso, que não faz parte da tradição socialista nem de uma democracia com preocupações sociais".
O deputado socialista assinou também um comunicado do Movimento Intervenção e Cidadania, na qualidade de presidente do seu Conselho de Fundadores, considerando que esta campanha do Governo "é um insulto a todos aqueles que, pelas mais diversas razões, não possuem outras habilitações que não sejam a sua competência". Uma coisa, diz, é defender o reforço da educação, outra é "denegrir profissões apresentadas como desqualificantes". |
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