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Obesos portugueses custam 500 milhões a si próprios e ao Estado

 

A balança está longe de ser o único instrumento para medir a dimensão da obesidade, que, em termos técnicos, se define como um índice de massa corporal superior a 30 quilos por metro quadrado. A máquina de calcular, que permite somar os diferentes custos associados de uma doença que afecta quase um milhão de portugueses, está a alertar o Governo para o peso escondido da obesidade na produtividade e nas contas públicas. O caso não é para menos: a obesidade custa a Portugal cerca de 500 milhões de euros por ano. E em vários países europeus já representa 5% do total da despesa pública com a saúde.

A conclusão é de João Pereira e Céu Mateus, num estudo intitulado Custos Indirectos associados à obesidade em Portugal. Nesse trabalho, os investigadores concluem que a obesidade esteve ligada, directa ou indirectamente, a mais de um milhão de dias de faltas ao trabalho, em 1996. As doenças do sistema circulatório, a diabetes de tipo 2 e as doenças de vesícula são as patologias associadas à obesidade que mais pesam no absentismo laboral.

Os autores tentaram medir os custos directos da obesidade (despesas do sistema de saúde e dos pacientes com o tratamento e prevenção) e os indirectos, que estão relacionados com os custos de produtividade. E chegaram à conclusão que, em 2002, os custos directos totalizaram cerca de 300 milhões de euros. Destes, as despesas com medicamentos (25,8%) representam a fatia mais gorda, logo seguidas pelas relacionadas com o internamento.

Para medir os custos indirectos, os autores estimam, para a população portuguesa, as proporções da doença e morte prematura atribuíveis à obesidade e multiplicam as estimativas populacionais encontradas pelo valor da produtividade económica potencial das pessoas afectadas. Chegam assim à conclusão de que os custos indirectos da doença rondam os 200 milhões de euros, sendo que a mortalidade contribuiu com 58,4% daquele valor e a morbilidade representou 41,6%.

Mas os mortos também custam dinheiro ao País? A ciência económica imputa custos a quase tudo. "Os custos da mortalidade são o resultado de 18 733 potenciais anos de vida activa perdidos , numa razão de três mortes masculinas por cada morte feminina", aponta o estudo. Ou seja, são pessoas que poderiam estar a produzir e a consumir, estimulando a economia. Já os custos de morbilidade "advêm de mais de 1,6 milhões de dias de incapacidade para o trabalho anuais, principalmente por faltas ao trabalho associadas a doenças do sistema circulatório e diabetes do tipo 2".

O Governo prepara-se para lançar um plano de prevenção e combate à obesidade, mas, como se vê, nem só de saúde se trata. - Carla Aguiar


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