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"Heidi era o Noddy de agora" há 30 anos

por

Paula Brito

Direitos reservados (imagem)  

Há 30 anos, quando começou a ser exibida pelas principais estações de televisão europeias, a "Heidi era o Noddy de agora", definiu ao DN, Vasco Hogan Teves, ex-quadro da RTP, responsável pelo livro que conta a história dos 50 anos da RTP a editar brevemente. Uma obra onde a história da rapariguinha órfã educada pelo avô será referida como um dos maiores sucessos da televisão portuguesa, ou seja, da RTP, nos finais da década de 70. Isso mesmo confirmou ao DN o antigo director de programas da estação pública, Luís Andrade. "A Heidi foi um sucesso não só em Portugal como no resto do mundo", reforça, acrescentando que "a história era de tal maneira humana que as crianças e adultos não resistiram, até porque não havia mais nada". "Agora, são as crianças que vão atrás do que os pais vêem", critica o actual comissário das comemorações dos 50 anos da RTP.

Criada em 1974 no Japão pela dupla Hayao Miyazaki e Isao Takahata (realizador), a série de televisão, que conta a história de uma menina de oito anos que é levada para os Alpes suíços pela sua tia Dele para ser criada pelo seu avô sisudo e se torna amiga de um pastorzinho de cabras da mesma idade (Pedro), mas que depois é levada novamente pela tia Dele para Frankefurt para junto de Clara, uma menina (12 anos) paraplégica, inspirou-se no livro infantil Heidi, da escritora suíça Johanna Spyri.

"Foi o primeiro grande êxito japonês porque falava das coisas do dia-a-dia: um avô que ordenhava cabrinhas, uma menina que vivia nas montanhas...", explica ao DN Luís Salvado, redactor da revista de cinema Premiére. "Foi algo que afectou muito as pessoas" no Ocidente até porque "tinha também uma carga muito dramática da menina órfã", sem que o "próprio autor Miyazaki tivesse consciência disso", acrescenta o jornalista referindo-se a uma entrevista recente por si realizada ao cineasta japonês. Para o especialista a explicação para a inclusão de temas dramáticos e pouco politicamente correctos está no imaginário japonês que está muito ligado à experiência violenta da bomba atómica. "Foi também a primeira vez que Miyazaki saiu do Japão (desloca-se aos Alpes suíços), para desenhar os fundos da série infantil", acrescenta.

Criada em 52 episódios de 25 minutos cada, foi a primeira de várias séries que se seguiram, acrescenta Luís Salvado: Marco, Abelha Maia, Tom Sawyer ou Conan, entre outras, lançadas à velocidade de uma por ano. Algumas delas chegaram a ser feitas em parceria com países europeus. É o caso de Vickie ou Abelha Maia, ambas realizadas com a Alemanha, ou de Dartacão, realizada com a Espanha.


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