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Banca paga nos depósitos um terço dos juros do crédito

por

Paula Cordeiro  

A subida das remunerações dos depósitos não acompanha a velocidade de aumento imposta nos juros do crédito. Os largos milhares de portugueses que possuem um depósito a prazo e raramente se preocupam em analisar e negociar os juros das suas aplicações estão neste momento a receber, em média, juros brutos em torno de 1,5%, um valor que se situa 2,5 pontos percentuais abaixo das taxas-base utilizadas para o crédito, as conhecidas taxas Euribor.

O valor médio da Euribor a 6 meses, a taxa mais usada nos empréstimos à habitação, foi de 3,944% em Fevereiro, à qual há ainda a acrescentar os spreads (margem de lucro) que os bancos aplicam, de forma diferenciada, a cada cliente. Ou seja, bem mais de 4%, um aumento de 58% desde o início do ciclo de subida da taxa de juro.

Nas aplicações de poupança, a realidade é bem diferente. Os juros pagos pela banca nos tradicionais depósitos a prazo (aplicações a um ano de valores que se situam entre os cinco mil e os 25 mil euros) variam entre os 1,050% do BPI, 1,45% da CGD, 1,5% do Santander Totta e os 1,75% do BCP, de acordo com uma ronda feita pelo DN junto dos maiores bancos. Estas taxas são, no entanto, taxas nominais brutas, significando que, na prática, o que os depositantes recebem são remunerações inferiores àqueles valores, depois de descontados todos os encargos. As taxas líquidas, em muitos casos, situam-se abaixo de 1%.

Mas se os juros dos empréstimos sobem praticamente todos os meses desde que este ciclo se iniciou - Setembro de 2005, nas taxas Euribor, Dezembro de 2005 nas taxas directoras do Banco Central Europeu -, do lado dos depósitos tradicionais nem todos os bancos subiram com a mesma rapidez. Desde 2005, a CGD subiu os juros dos seus depósitos a prazo, fixados administrativamente, duas vezes. No Millennium bcp foram cinco subidas desde Dezembro de 2005, com novos valores anunciados para 2 de Abril, enquanto o Santander Totta reviu em alta duas vezes. No BPI, alguns depósitos acompanharam o mercado e subiram 30 vezes.

No caso da CGD, as taxas brutas actualmente em vigor para os depósitos a prazo variam entre 0,125% e os 1,9%, dependendo do prazo e do montante. O banco não informou sobre os valores anteriores das suas taxas. No BCP, os juros brutos actuais variam entre 1,5% e 2,5%, tendo a taxa mais elevada subido 1,25 pontos desde o final de 2005. Os depósitos tradicionais do Santander Totta tinham juros de 0,5% em 2005, com as taxas a variar actualmente entre 1% e 2,5%. No BPI, o preçário base aponta uma taxa bruta 1,05%, mas o banco revelou que os actuais valores, a um ano, podem chegar aos 4,1%, contra 2,8% em Dezembro de 2005.


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