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Santana irritado com Cavaco por não o ter convidado para sessão sobre UE

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Francisco Almeida Leite*  

Pedro Santana Lopes não gostou de não ter sido convidado pelo Presidente da República para participar na reunião que hoje reúne em Belém os principais protagonistas executivos da adesão e da participação de Portugal na União Europeia. Ao DN, o antigo primeiro-ministro assume o desagrado: "Há gestos que falam por si, mas cada um convida quem quer. Acho curioso o critério, em termos de delicadeza estamos conversados".

Cavaco Silva viu-se obrigado a esclarecer este fim de semana qual o critério que tinha estabelecido, depois do semanário Sol ter noticiado que a reunião de hoje iria deixar de fora todos os antigos primeiros-ministros, incluindo Mário Soares, que avançou com o processo de adesão de Portugal à então denominada Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e assinou o Tratado de Adesão, em 1985. "Não entremos em especulações, vou reunir todos os ex-ministros dos Negócios Estrangeiros, ex-secretários de Estado, embaixadores, ex-altos funcionários. Foi este o critério escolhido e é muito, muito claro".

"Tenho estado calado sobre o Tratado Constitucional, se calhar é melhor lembrar muita gente que foi eu que o assinei", diz Santana Lopes ao DN, garantindo não concordar com o critério encontrado: "Devia ser possível fazer uma reunião com dois ou três ex-primeiros-ministros. Se calhar tinha era de ser à porta aberta". O que, de facto, choca com a intenção de Cavaco Silva, que marcou esta reunião como uma sessão de reflexão com todos os protagonistas "executivos" que tiveram o dossier Europa nas mãos. Segundo fontes da Presidência, não se trata de nhuma cerimónia oficial, é antes uma "reunião à porta fechada ou um debate", onde o PR quer ouvir experiências e fazer algumas pontes para o futuro. Daí que não estejam também convidados o actual primeiro-ministro ou o ministro dos Negócios Estrangeiros em exercício (ver mais noticiário na pág. 12).

Fonte próxima de Mário Soares desvalorizaria o episódio, sublinhando mesmo o actual bom entendimento entre os dois políticos no Conselho de Estado. As teses europeistas do estadista que abriu e fechou o dossier da adesão (e, depois, foi eurodeputado e candidato a presidente do PE) datam da década de 60 - antes da formação do PS, que só teria lugar em 1973. Também Vítor Ramalho, soarista deputado do PS, afirmou ao DN que "a circunstância de Mário Soares não estar é irrelevante, porque não é possível apagar a história". Quanto a Medeiros Ferreira, também convidado enquanto ex-MNE apenas disse: "Seria muito indelicado falar sobre os convites do PR". * Com FM e ASL


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