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Ana Sá Lopes
Arons de Carvalho acha "difícil" que no mundo político-mediático português fosse possível acontecer qualquer coisa parecida com o escândalo que, neste momento, atravessa Espanha: o boicote de um partido, o Popular, de Mariano Rajoy, a um grupo de comunicação social, a Prisa, de Jesús de Polanco.
A decisão do PP foi tomada na sexta-feira depois de o presidente da Prisa ter acusado o PP de saudosismo "franquista" e de "querer voltar ao clima da guerra civil" - comentando, numa assembleia de accionistas do grupo, as recentes manifestações contra o Governo, dinamizadas pelo PP, por causa da política relativamente à ETA.
Para Arons, em Portugal "o mercado é relativamente escasso" e "um grupo de comunicação social não pode hostilizar uma parte do seu mercado". Se "o El País não é o órgão oficial do PSOE", dirige-se, no entanto, "a um mercado mais à esquerda", em contraponto com o El Mundo,que está mais próximo do Partido Popular.
O "tamanho" nacional inviabiliza tomadas de posição mais radicais, tanto dos órgãos de comunicação social como dos próprios partidos, segundo Arons. "Os operadores de comunicação não podem tomar partido, os partidos políticos têm medo de hostilizar abertamente um grupo de comunicação."
Independentemente de algumas "guerras surdas" que possam existir, a possibilidade de um confronto entre qualquer partido e um grupo de comunicação é dificilmente imaginável em Portugal ou mesmo "impossível". Desde já, é impossível que os jornais tomem abertamente partido, ao contrário do que se passa em outros países. "Em Portugal não há tradição, nunca foi assim. O mercado é tão escasso que ninguém se atreve", afirma o deputado do PS.
Azevedo Soares, vice-presidente do PSD, também não imagina que possa vir a ocorrer um escândalo entre um partido e um grupo de comunicação, à semelhança do que foi desencadeado em Espanha. As "culturas diferentes" impedem-no.
"Em Espanha, alguns grupos têm um alinhamento político claro, afirmado. O grupo Prisa é abertamente afecto ao PSOE", afirma Azevedo Soares, que situa o confronto em Espanha "no âmbito da luta política e não das relações entre partidos e comunicação social".
O primeiro vice-presidente do PSD não vê, em Portugal, qualquer possibilidade de acontecer uma crise semelhante. "Não vejo nenhuma situação que possa criar uma crise especial entre partidos e comunicação social. A comunicação social em Portugal não se define partidariamente e torna-se mais difícil qualquer confronto desta natureza", diz Azevedo Soares. Apesar de achar as afirmações de Polanco "excessivas", concorda que, enquanto cidadão, "está no seu direito" de as fazer.
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