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Patrões querem ter a mesma hora que a Europa

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João d'Espiney  

Quatro confederações patronais escreveram ao primeiro-ministro, José Sócrates, a pedir a uniformização da hora legal em Portugal com a que está em vigor na maior parte dos países da Europa continental.

Na carta, a que o DN teve acesso, as cúpulas patronais da indústria, comércio e agricultura argumentam que "a diferença de uma hora provoca dificuldades nos contactos comerciais e o aumento nos custos com as deslocações dos empresários portugueses, obrigando a que, para estar presente em iniciativas que se iniciam ao princípio do dia, seja necessário viajar na véspera".

"A maioria das associações [patronais] entende que a hora legal portuguesa deve coincidir com a hora dos países da Europa continental, com os quais o nosso país mantém intensas relações comerciais, nomeadamente Espanha", lê--se na missiva enviada a Sócrates.

Basicamente, os patrões querem que o Governo decida manter a hora legal, no mês de Setembro, para que esta fique a coincidir com a quase totalidade dos países da Europa continental, que nessa altura irão atrasar o relógio 60 minutos para a chamada "hora de Inverno".

"A unidade da hora no espa- ço europeu reforçaria a própria unidade europeia e contribuiria para a facilitação das relações eco- nómicas", lê-se ainda na missiva subscrita pela Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), do Comércio e Serviços de Portu- gal (CCP) e da Agricultura (CAP).

Esta não é a primeira vez que os patrões portugueses fazem lobby junto do Governo para que harmonize a hora legal com os restantes países do continente europeu. A insistência prende-se com o facto de haver uma directiva comunitária [de 2001] que obriga os Estados membros da União Europeia (UE) a apresentar à Comissão um relatório, de cinco em cinco anos, sobre a execução da hora legal até 30 de Abril.

As confederações patronais entendem, por isso, que "este é o momento para se pronunciar sobre uma questão de enorme relevância para a actividade económica e para propor ao Governo que adopte medidas que vão ao encontro dos interesses da economia", lê-se ainda na carta, que foi enviada também para o ministro da Economia, Manuel Pinho.

Em declarações ao DN, o presidente da CIP, Francisco Van Zeller, confessou não ter grandes esperanças de que o Governo seja "sensível" à recomendação patronal. "Nós queremos marcar uma posição, e talvez o Governo queira pelo menos abrir o debate, pois mais cedo ou mais tarde vamos ter de harmonizar", defendeu o patrão da CIP.

O DN tentou obter uma reacção do gabinete de José Sócrates, mas até à hora de fecho desta edição tal revelou-se impossível.

Esta questão também não é pacífica no seio do próprio patronato.

Francisco Van Zeller revelou que a associação patronal do sector têxtil "prefere ficar com a hora antiga e que a confederação do turismo não subscreveu esta posição", salientou

"Tem sido difícil obter a unanimidade, mas com a experiência do comércio europeu, e com os contactos e as negociações que são precisas fazer, registou-se uma evolução de opinião dos nossos associados. Daqui a quatro ou cinco anos talvez haja unanimidade", afirmou o presidente da CIP. Questionado sobre se esta tomada de posição foi feita com base em algum estudo com o impacto económico da harmonização, Francisco Van Zeller respondeu que não, mas que "é uma questão de senso comum".

José António Silva, presidente da CCP, também é da opinião que "não é preciso pensar muito para concluir que a harmonização faz sentido".


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