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por
Susete Francisco
Leonardo Negrão (imagem)
O CDS entrou numa guerra que parece já não ter retorno. Um dia depois de um Conselho Nacional (CN) que acabou num clima de guerra civil, os ânimos não serenaram. Muito pelo contrário. O antagonismo chegou a tal ponto que a presidente do CN, Maria José Nogueira Pinto, veio ontem afirmar que uma "cisão é a melhor hipótese que o CDS tem".
E, a demonstrar que não haverá lugar para todos no futuro do partido, a dirigente centrista voltou a admitir deixar o CDS, caso Paulo Portas venha a assumir a liderança na sequência deste processo. "Se se provar que este partido é um território onde alguns assaltam o poder, eu aqui não sirvo nada nem ninguém", referiu a vereadora da Câmara de Lisboa, que já na noite de domingo tinha admitido deixar o partido.
Foi num tom duríssimo que Nogueira Pinto respondeu a Paulo Portas - no final do CN, que decorreu no domingo em Óbidos, o deputado tinha acusado a presidente do CN e o líder democrata-cristão, José Ribeiro e Castro, de terem "mau perder". Ontem, Nogueira Pinto acusou Portas de tentar "assaltar o poder" no CDS e de "instigar um clima de coacção, violência verbal e agressão física" na reunião de domingo. O ex- -presidente centrista, agora recandidato a líder, "trouxe para dentro do partido o pior da memória do PREC. Isto nunca ocorreu em nenhum partido democrático", criticou a presidente do Conselho Nacional, acusando Portas de "lesar o coração do património histórico do partido".
Agressões físicas no CN
Mas nem só políticas foram as acusações de Maria José Nogueira Pinto a Paulo Portas e aos seus apoiantes. A dirigente centrista acusou Hélder Amaral, deputado por Viseu, de a ter agredido no final da reunião do CN - logo após a presidente daquele órgão ter encerrado os trabalhos, argumentando que o requerimento dos militantes a pedir um congresso se sobrepunha à votação dos conselheiros nacionais, que aprovaram por maioria a realização de eleições directas. "Hélder Amaral avançou pelas minhas costas e magoou-me nas costas e nos ombros", sustentou Nogueira Pinto, recusando apresentar qualquer queixa: "Não lhes dou essa importância."
Uma acusação que Hélder Amaral veio entretanto negar (ver caixa em baixo). Mas a história poderá não ficar por aqui. A reunião do CN decorreu à porta fechada, mas Maria José Nogueira Pinto veio ontem revelar que há filmagens do encontro dos centristas. E que poderão vir a ser usadas: "A partir de hoje [ontem], as falsidades serão rebatidas uma a uma com gravações."
Nova guerra à vista
Apesar do nível que já atingiu, o conflito interno no CDS está para durar. E tem já um outro episódio à vista. Face à decisão de avançar para um congresso, Nogueira Pinto vai convocar ainda para esta semana uma nova reunião do Conselho Nacional, destinada a aprovar os regulamentos do conclave. O que poderá resultar nesta situação: os conselheiros afectos a Paulo Portas (em maioria, como o demonstraram as votações do CN de domingo) chumbam o regulamento do conclave. E sem este não pode haver congresso.
Nogueira Pinto referiu-se a esta hipótese, para afirmar que a "aprovação do regulamento vai prevalecer". "A não aprovação do regulamento como forma de impedir o congresso é uma golpada, e as instituições têm meios para evitar golpadas", garantiu, mas sem especificar como pode este cenário ser evitado. Além desta questão, há uma outra que pode aumentar a confusão: os portistas recorreram para o Conselho de Jurisdição da prevalência do pedido de congresso.
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