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Entrevista Paolo Pinamonti, director cessante do Teatro São Carlos:
"Nunca houve um convite formal para eu continuar"
É verdade que soube da sua não continuação por carta?
Sim. Hoje [ontem], cerca de meia hora antes do secretário de Estado da Cultura iniciar a sua conferência de imprensa, a minha secretária ligou-me e leu-me o conteúdo da carta. Que não coincide com o que disse o secretário de Estado...
Como assim?...
Ele diz que eu rejeitei uma proposta, mas isso não corresponde à verdade. A frase que ele leu está descontextualizada e, como sabe qualquer hermeneuta, a descontextualização altera o significado.
Então a que se referia a frase?
Referia-se às consequências para o Teatro do corte de 782 mil euros que me fora anunciado na véspera; e a um quadro de asfixia financeira que a projectada altera- ção orgânica, então ainda de contornos muito vagos, só agravaria.
Então não houve qualquer convite formal ligado à futura realidade orgânica do Teatro?
Não. Nunca. Apenas um desejo genérico de que eu continuasse, mas sem que alguma vez me dissessem para fazer o quê, no âmbito de que projecto, em que condições.
Manifestou o desejo de continuar à frente do Teatro?
Sim, em cartas de 9 de Janeiro e de 23 de Fevereiro. A primeira não teve resposta e a segunda levou a uma reunião inconclusiva com a ministra, cujo prometido seguimento nunca se verificou. Eu não podia fazer mais que isso. Não podia pedir que me contratassem!
Então acha que foi posto fora do baralho há muito tempo?
É claro! É evidente. Fui afastado. Estou a pagar por ter defendido a minha opinião. Agora percebo os silêncios. Ainda no dia 7, por ocasião dos 50 anos da RTP, a ministra disse que me iria convocar para uma conversa pessoal: não só não me convocou, como a única coisa que fez foi enviar esta carta.
Sente-se menosprezado?
Lamento o tom da carta. Sinto muito acabar assim, porque foram seis anos importantes e de grande satisfação. Deixa-me amargurado que me comuniquem de forma tão deselegante o termo das minhas funções. O mínimo seria dizerem- -mo olhos nos olhos, com correcção e com uma antecedência aceitável. Agora, a 18 dias...
Continua a discordar da fusão com a CNB sob a égide da Opart?
A Opart ainda não existe, é um fantasma. Parece que estamos à espera de Godot! Sacrificam-me com base em algo que não se conhece.
Fica até final da temporada?
Tudo o que tenho de concreto é esta carta. Logo, no dia 1 de Abril já não pertenço ao São Carlos.
A temporada 2007/08 está já definida?
Nos títulos, sim. Faltam acertos de orçamentos e de datas. Estou disponível para uma transição tranquila, sem sobressaltos, porque as instituições estão à frente das pessoas. Nós passamos, elas não. BM
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