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Os índios cherokees aprovaram a expulsão dos descendentes de escravos negros da sua tribo. Com uma maioria de 77% dos votos, os membros da segunda maior tribo dos EUA, depois dos navajos, optaram pela revisão da Constituição tribal, de modo a limitar a cidadania apenas a índios puros. Mas, enquanto os defensores desta medida afirmam que apenas os "verdadeiros cherokees" têm o direito de decidir quem pertence à tribo, os seus oponentes consideraram esta decisão racista. Os cherokees adoptam assim a velha máxima sulista de que basta uma gota de sangue negro para que qualquer indivíduo seja racialmente classificado como negro.
Muitos vêem neste escrutínio apenas uma forma de limitar o acesso dos negros aos vantagens fiscais e subsídios reservados aos membros da Nação Cherokee. Com mais de 250 mil membros e um forte crescimento demográfico, os cherokees, tal como todas as tribos oficialmente reconhecidas pelo Governo dos Estados Unidos, recebem subsídios federais e beneficiam, nas zonas tribais, de assistência médica e de apoios à habitação e educação.
Até à Guerra Civil, os negros encontraram nos índios aliados naturais. Quando os escravos fugiam das plantações, era nas aldeias índias que encontravam refúgio, onde eram aceites como iguais e muitas vezes constituíam família. Essa aliança foi fundamental nas guerras travadas contra a invasão de terras por colonos brancos.
Quando a Guerra Civil terminou, em 1865, muitos negros continuaram a viver com as tribos, tendo alguns deles casado com índios. São os seus descendentes - bem como os descendentes de outros casamentos mistos - que os cherokees querem agora expulsar.
Interrogado sobre o resultado da votação de ontem, o chefe Chad Smith sublinhou que "o povo cherokee exerceu o seu direito democrático mais básico, o direito de voto". Smith garantiu ainda que "a decisão sobre quem deve ser cidadão da Nação Cherokee foi muito clara. E não pode ser alterada". Mas esta opinião está longe de ser partilhada por todos os dirigentes da tribo. Taylor Keen, membro do concelho tribal, criticou fortemente o resultado do referendo e considerou esta votação como "um dos momentos mais tristes na história dos cherokees".
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