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Matemática muito 'à frente' explica mosaicos islâmicos

 

É uma simetria quase perfeita e uma prova, dizem os peritos, de uma visão matemática sofisticada e 500 anos à frente para a época. Este é o mais recente veredicto sobre os mosaicos geométricos produzidos pela cultura islâmica da Idade Média. A conclusão tem a chancela científica da Science.

A questão está toda na geometria dos motivos e na perfeição da sua simetria em grande escala. Essa mestria, garantem os autores na última edição da revista científica, testemunha o avanço dessa cultura. Para se ter uma ideia, só na década de 70 do século XX os matemáticos ocidentais conseguiram explicar aquele tipo de padrões.

"Isso parece indicar que os matemáticos tiveram um papel preponderante na cultura árabe e muçulmana n a Idade Média", explica o principal autor do artigo, Peter Lu, investigador da universidade de Harvard, nos EUA, sublinhando que "seria uma coincidência extraordinária se se tratasse só de uma técnica artesanal para juntar os mosaicos".

Lu defende que esses mosaicos geométricos "testemunham uma cultura mais sofisticada do que até agora se pensava". E explica: "Réguas e compassos permitem executar linhas simples, mas foi necessário um sistema mais complexo para explicar os mosaicos com uma simetria decagonal perfeita". A razão é simples. A criação individual daquele tipo de motivos é possível utilizando alguns instrumentos elementares. Mas a sua reprodução em grande escala, e sem recurso a meios mais sofisticados, criaria enormes distorções no conjunto.

Ora, não é isso que se verifica. Lu acredita que os artesãos árabes utilizaram pequenos mosaicos especiais chamados girih (que se encontram decompondo a obra) e que são formados por cinco polígonos e um decágono, um losango, um hexágono e um triângulo, cada um representando um motivo único na decoração. Esta técnica, que representou um avanço matemático considerável, permitia a criação dos motivos até ao infinito, sem repetições nem distorções, diz Lu.

Mesquitas e monumentos da época, em países que já então eram muçulmanos, como o Irão, têm inúmeros exemplos desta arte matemática.


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