Publicidade
Diário de Notícias Diário de Notícias


media

"Blogosfera e jornalismo devem complementar-se"

por

Ana Pago  

É um mundo de informações e opinião que se abre à escrita rápida, à visão dos seus criadores, à crítica (ainda não espartilhada por critérios editoriais). A blogosfera revolucionou a forma de comunicar, dizem internautas e especialistas. "Já influenciou os media", reitera o jornalista blogueiro António Granado. E, se não é jornalismo - pelo menos não ainda, não no País -, uma e outro "podem e devem complementar-se", garante José Mário Silva, também ele jornalista e blogger.

São milhares os novos blogues que se multiplicam na Net, milhares as pessoas que assistem a debates sobre o assunto, citam passagens de cor e fazem da blogosfera parte integrante das suas vidas. Os blogues são a solução encontrada por quem gosta de escrever e não tem onde fazê-lo, tal como servem de extensão aos profissionais que sentem não esgotar o que têm a dizer nos espaços curtos dos jornais, rádios ou televisões.

"No ecossistema da informação do século XXI, instantânea, rápida e globalizante, há lugar para todos, em escalas diferentes", diz José Mário Silva, considerando que "seria bom que, em vez do actual parasitismo nos dois sentidos, se evoluísse para a simbiose". Mais crítico na apreciação da blogosfera - apesar de crer que a explosão de blogues "é um acontecimento importante na esfera pública" nacional -, Pacheco Pereira lamenta a fase "de grande pobreza" que os bloggers portugueses atravessam.

"Tudo é bom num país onde não há a tradição anglo-saxónica do confronto", desfere o autor do Abrupto, ele mesmo um mediatizador dos blogues pelo trabalho pioneiro de abrir a blogosfera à política. Pedro Mexia reconhece que o panorama em Portugal está longe do dos EUA (onde há gente que faz dos blogues profissão), mas prefere ver esta estagnação como um "refluxo" natural.

"Continua a haver crescimento de blogues, mas a sua taxa de mortalidade também é maior. E a moda passou após o pico de 2003: entrámos na fase da normalidade", resume o poeta que, a dada altura, mergulhou de cabeça no potencial da blogosfera. Se esta influencia o jornalismo?

Pode influenciar, "na medida em que os jornalistas lêem muitos blogues e estes chamam várias vezes a atenção para assuntos menos óbvios na marcação da agenda mediática". Tirando isso, ressalva Mexia, "os nossos blogues não são jornalismo. Estão longe, ainda, de atingir o estado de profissionalização que lhes permitirá ser considerados como tal".

Ficam-se, para já, com alguma contaminação de linguagem, algumas histórias avançadas em primeira mão sem a preocupação de rigor exigida aos media. Enquanto os blogues levam a classe a "enfrentar o feedback, a correcção factual, a opinião alternativa", os jornalistas (muitos deles bloggers) buscam informações e polémicas que depois usam, citando ou não a fonte.

Também as empresas - de comunicação ou não - perceberam o valor do blogue na comunicação. Em dez anos, o fenómeno democratizou-se, fortaleceu relações com trabalhadores e clientes. Hoje, são poucas as que não cultivam um espaço pessoal na blogosfera como prolongamento da sua actividade. É o caso do Sol, por exemplo, que nasceu como jornal já de olhos postos no blogue que faria.

Do digital para... o papel

Quando, em 1997, Dave Winer e Jorn Barger se estreavam num universo em ascensão, os blogues resumiam-se ao papel de diários, ao registo dos gostos dos criadores num trabalho de listagem de links que remetiam para outros endereços (as primeiras formas de interactividade). Desde então, a oferta abriu até aos cerca de 30 milhões de weblogues na Net. Aos espaços de reflexão política e cultural seguiram-se os de desporto, humor, sexo e outros, nascidos da imaginação dos cibernautas.

No final de 2004 o Barnabéganhou forma de livro, seguindo a linha iniciada com O Meu Pipi e reforçada com o Fora do Mundo de Mexia. O jornalista Paulo Querido (criador do portal Weblog.com.pt) escrevia livros a "dar pistas" sobre a redee a nova realidade bloguística. Em Março de 2006 o Blooker Prize, primeiro prémio literário para livros nascidos de blogues, anunciava a sua short list. A tendência de colar o digital ao papel confirmava-se. A blogosfera cresceu como mundo virtualmente infinito, a (re)descobrir até hoje.


ImprimirImprimirEnviar por EmailEnviar por Email
PartilharPartilhar


Siga-nos em
Especiais

Recuar
Avançar
PUBLICIDADE


RSS


PATROCÍNIO
sondagem

Inquérito DN

Quem tem mais culpas na má época do Sporting?

José Eduardo Bettencourt
Paulo Bento
Carlos Carvalhal
Pedro Barbosa
Sá Pinto
Os jogadores
Votar  Ver Resultados




Desporto

Todas as notícias

Todas as notícias

Portugal

Grande Entrevista

Grande Entrevista

Desporto

Inscreva-se

Inscreva-se

Cartaz

ESPECIAL ELVIS

ESPECIAL ELVIS




Diário de Notícias, 2009 © Todos os direitos reservados | Termos de Uso e Política de Privacidade | Ficha Técnica | Publicidade | Contactos