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Susete Francisco
Paulo Portas prepara-se para anunciar, na próxima semana, que está disponível para ajudar o CDS a ultrapassar a actual fase de divisão interna, apontando o caminho que o partido deve seguir no actual contexto político.
Sem fazer qualquer anúncio de uma eventual candidatura à liderança, o deputado não fechará a porta - mesmo que por omissão - a este cenário. No que deverá mesmo tornar-se o cerne da questão: uma declaração assertiva do ex-líder poderá precipitar uma disputa da liderança; uma versão mais "suave" dará menos margem aos críticos para provocar um congresso, permitindo também à direcção "contornar" o discurso do deputado.
Entre os centristas mais próximos de Paulo Portas é dado adquirido que o ex-presidente do partido fará uma declaração a apelar à unidade - uma tarefa para a qual oferecerá o seu contributo, enquanto ex--líder que teve a congregação dos democratas-cristãos como uma das marcas do seu consulado. A dúvida - que nem mesmo os nomes que mais de perto têm acompanhado Portas conseguem para já esclarecer - é se o ex-presidente será contundente nessa declaração de disponibilidade. O que poderá fazer a diferença em termos de timings.
De acordo com um ex-dirigente do CDS, Portas não deverá forçar a "marcação de um congresso extraordinário", mas pode ir suficientemente longe para obrigar Ribeiro e Castro a tomar uma posição. "Se se tem um ex-presidente identificado com uma facção - bem ou mal -, a dar a entender que o partido pode ser muito melhorado" não sobra muito espaço ao actual líder para evitar uma clarificação em congresso, sustenta. Antes de defender que, caso Paulo Portas se assuma como alternativa (ainda que nas entrelinhas), o partido dificilmente esperará até ao próximo conclave (em 2008) para fazer uma escolha.
Um entendimento partilhado por outra fonte centrista, para quem Portas falará sobre o País, apontando o que deve ser a oposição do CDS no actual contexto político. Defendendo que o facto de Portas não ter ainda feito a declaração - permitindo que se "criem enormes expectativas" - é prova de que aquela "nunca será irrelevante", a mesma fonte levanta duas hipóteses para o discurso do ex-líder. "Ou faz uma declaração mais afirmativa da disponibilidade para uma intervenção na vida do partido, a ponto de causar uma aceleração dos calendários, ou é menos afirmativo e dá ainda alguma margem à actual direcção", sustenta.
Uma visão que não é partilhada na direcção do CDS. Calma e tranquilidade são palavras repetidas pelos dirigentes nacionais que, a uma voz, dizem não acreditar que o ex-líder force uma disputa da liderança.
Portas deverá fazer a anunciada declaração no início da próxima semana, o que poderá vir a condicionar uma outra questão, que estará também em cima da mesa nos próximos dias: as eleições para a liderança do grupo parlamentar. Mandatado pela bancada para acertar as condições em que decorrerá a escolha do próximo líder, Telmo Correia fará "nova diligência no início da próxima semana". No decorrer da qual "apresentará conclusões" aos restantes deputados - que se reunirão na próxima quinta-feira.
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