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'Verdade' da rádio aligeira desconfiança nos media

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Ana Pago  

A poucas semanas das eleições presidenciais em França, numa altura em que os candidatos dos vários partidos acusam os media de parcialidade, dados recentes vêm revelar um ligeiro acréscimo de confiança por parte da opinião pública francesa, nomeadamente no que diz respeito à "verdade" da rádio.

Para lá das dúvidas face ao trabalho da comunicação social, aos olhos de 57% dos entrevistados "as coisas passaram-se tal e qual ou, pelo menos, de modo muito aproximado" aos relatos radiofónicos, afirma o vigésimo barómetro La Croix-TNS Sofres - realizado com base num universo de mil inquiridos e particularmente aguardado por todos devido ao actual contexto político do país. A rádio, desde sempre considerada como o media mais fiável, ganha assim um pouco mais de terreno na consideração dos franceses.

O mesmo estudo avança ainda ser a imprensa escrita a segunda posicionada no ranking da credibilidade mediática (com 51%), seguida pela televisão (que ganha, contudo, quatro pontos relativamente ao ano passado) e pela Internet, a conquistar a confiança de 30% dos franceses, contra os 24% anotados em 2006.

Contas feitas às respostas, a estabilidade na opinião do país existe na medida em que uma larga maioria de 60% (maioria essa que exprimia já a mesma ideia em 1987, data do primeiro barómetro) põe em causa a independência dos jornalistas, face a 30% dos inquiridos que ainda vêem a classe como uma força capaz de resistir às pressões do poder vigente.

Também esperada pelo público - e posteriormente confirmada pelos últimos números do La Croix-TNS Sofres - foi a excessiva atenção noticiosa dedicada aos candidatos Nicolas Sarkozy (cabeça-de-lista do UMP) e Ségolène Royal (do PS). Ao mesmo tempo que a sondagem aponta para que um e outro tenham sido objecto de "sobremediatização", uma pequena fatia de oito por cento dos entrevistados considera que o político François Bayrou (do partido UDF) beneficiou igualmente de um tratamento "demasiado importante" nos meios de comunicação social.

Imparcialidade em campanha

Seguindo a mesma lógica de objectividade e isenção noticiosa em véspera de eleições, a França determinou que os analistas políticos não podem tomar partido por nenhum dos candidatos, elogiando ou apontando as fraquezas dos mesmos. Alain Duhamel, editorialista conhecido do público pela capacidade de oratória, teve de renunciar à sua crónica diária na rádio RTL e viu-se afastado da cadeia France 2 por apoiar Bayrou. O veterano "não intervirá mais em espaços da France Télévision (a estação pública) até ao final da campanha", sublinhou a direcção da France 2 em comunicado, justificando-se com os "princípios de independência e neutralidade".

Segundo a AFP, e à semelhança do véu lançado sobre Duhamel, também duas apresentadoras da TV estatal foram temporariamente dispensadas de funções frente às câmaras pela sua ligação a ministros. Marie Drucker, da France 3, mantém uma relação com François Baroin, ministro do Ultramar. Já Béatrice Schoenberg, da France 2, é mulher do ministro da Coesão Social, Jean-Louis Borloo.


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