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Vida em Marte cada vez mais provável

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Filomena Naves  

Primeiro foi a confirmação de que há água em Marte. A descoberta foi feita pela sonda europeia Mars Express e alvoroçou o mundo científico em 2003. Um ano depois, seguiu-se outra notícia bombástica: a da existência na atmosfera marciana de metano, um gás biogénico, que pode indiciar a presença de vida. Passada ou presente. E se esta possibilidade era referida até aí como uma "curiosidade interessante", ela deixou nessa altura de provocar sorrisos condescendentes.

Hoje, a comunidade científica tem como ponto assente que a vida, se não existe no subsolo, sob formas ainda desconhecidas, pelo menos já povoou há milhões de anos a superfície do Planeta Vermelho. Ontem, a questão voltou a ser debatida por cientistas da NASA, no congresso anual da Associação Americana para a Promoção da Ciência (AAAS), que está a decorrer em São Francisco, nos Estados Unidos. "Estou convencido de que encontraremos um dia sinais de vida em Marte", afirmou David Des Marais, da NASA. No mesmo debate, Stephen Clifford, astrónomo do Instituto Lunar e Planetário de Houston , no Texas, corroborou a ideia e sublinhou: "Dispomos de numerosas indicações de que Marte teve água em abundância."

Clifford citou a propósito recentes descobertas geológicas, publicadas esta semana na revista Science, que reforçam a tese da presença de água em Marte.

Imagens recolhidas pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter, da NASA, mostram camadas mais claras nas linhas de fractura de um desfiladeiro, que os cientistas interpretaram como um testemunho da infiltração de água na base da rocha, há muitas centenas de milhões de anos.

"Na Terra, esse tipo de descoloração da rocha indica claramente interacções químicas entre os fluidos que circulam entre a fractura e o soco da rocha", explicou Chris Okubo, investigador da Universidade do Arizona e principal autor do estudo publicado na Science, citado pela Lusa. Na Terra, água é vida. Em Marte, não será exactamente assim, mas os sinais positivos crescem.

Observações recentes revelaram, por exemplo, indícios da presença actual de água no subsolo de Marte. É aí, no subsolo, que poderá existir vida, já que a superfície do planeta é demasiado hostil, defendeu David Des Marais.

Deslindar toda esta questão ainda pode levar anos e muitas mais sondas, mas a NASA já definiu a estratégia: continuar a procurar de água noutros pontos do planeta, buscando também possíveis fontes da energia que é necessária à vida, disse Tori Hoehler, outro cientista da NASA.

Uma coisa é certa: se o próximo destino dos voos tripulados é Marte, o estudo deste planeta terá que ser exaustivo e multidisciplinar, para garantir uma aterragem segura aos tripulantes, salvaguardando também que Marte não seja acidentalmente contaminado pela vida da Terra.


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