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"Os homens estão mais medrosos"

por

Lícinio Lima  

Mário Costa, detective privado, assume-se especialista em "assuntos de corno". Mas é um mito crer que apenas elas se mostram obcecadas com as infidelidades. Eles começam também a preocupar-se com o passado delas antes de avançar para um compromisso. "Os homens estão cada vez mais medrosos", conclui o ex-fotógrafo de casamentos, ressalvando que, nalguns casos, é o golpe do baú que os motiva a investigar a namorada. Entre os seus melhores clientes destacam-se agora os divorciados "que trocaram a seriedade pela beleza", revelou ao DN aquele especialista em traições, mentiras e espionagem, a propósito do Dia dos Namorados que hoje se assinala.

No gabinete de Mário Costa, num 5.º andar no centro da Amadora, tudo soa a filmes de detectives. Microcâmaras em maços de tabaco, microgravadores de lapela, microantenas, localizadores com GPS... enfim, ali é visível toda uma panóplia de aparelhos que visa servir bem, a 75 euros a hora, quem quer conhecer todos os passos, visíveis e "invisíveis", do namorado, da namorada, do marido, da esposa, do filho, da filha, do companheiro...

"Chegou cá um indivíduo com duas matrículas automóveis e um endereço. Pediu-me para saber tudo sobre a mulher que conduz os respectivos veículos, residente naquela morada. No final, teve de pedir um empréstimo bancário para me pagar. Mas, segundo ele, valeu a pena. Trata-se de alguém com muito dinheiro. Assegurou-me que foi um bom investimento. Depois da investigação pediu namoro à senhora."

Mário Costa assegura que este tipo de serviço é cada vez mais procurado. E não apenas na tentativa de golpe do baú. Há os que também o procuram para se assegurar de que a namorada é séria. "Não se preocupam se é feia, bonita, rica ou pobre. Só querem saber se é séria, se já teve namorados, se é de famílias decentes." São os homens divorciados quem mais se preocupa com a namorada. "Evitam repetir más experiências", explica. Para o detective, de 54 anos, criado pelos avós desde os três, "os homens estão cada vez mais medrosos". Mais: considera, inclusive, que eles nada percebem de mulheres . "Se soubessem como elas funcionam seriam muito felizes", assegura, declarando-se "um estudioso" que lê todas revistas femininas e livros delas para elas.

"Elas, na sua maioria, são mulheres de um homem só." Ao contrário, "nós somos cães de caça. Somos maus. Nem percebemos que a sua sexualidade é muito diferente da nossa", explica, com emoção, este antigo metalúrgico da Lisnave, ex-fotógrafo com experiência de reportagem jornalística. Se lhe perguntam em que área da espionagem se especializou, responde com naturalidade: "Só faço corno."

Marcou-o a cliente que, "já sem suportar o cheiro da boca do marido mais velho que nada lhe fazia faltar", lhe pediu para saber tudo sobre um jovem com quem um insistente cruzar de olhares há muito a perturbava. Mário Costa depressa apurou tratar-se de alguém disponível, educado... Ela, insegura, mostrava-se hesitante em partir para a aventura. Mas ele, detective, organizou tudo para que o amor entre ambos explodisse. "Ela merecia ser feliz, porra!"


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