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sociedade

Maior sismo dos últimos 30 anos assusta população do Algarve

por

Sónia Correia dos Santos,

Paula Martinheira

e José Manuel Oliveira  

Portugal foi abalado, ontem de manhã, pelo maior sismo sentido nos últimos 30 anos, que atingiu a magnitude de 5,8 na escala aberta de Richter, sem provocar quaisquer danos pessoais ou materiais.

O tremor de terra registou-se às 10.36 e teve o seu epicentro a 160 quilómetros a sudoeste do cabo de S. Vicente, no Algarve, e foi sentido principalmente no centro e sul do País. Assim como em algumas zonas de Espanha. Ao longo do dia foram observadas mais duas réplicas, pelo Instituto de Meteorologia (IM), às 11,50 e às 13.30, com uma magnitude de 2,5 na escala de Richter.

"Segundo o padrão normal de uma série sísmica é natural que ocorram réplicas, de menor intensidade, nas horas seguintes ao sismo principal", explicou ao DN o sismólogo do IM, Fernando Carrilho. A observação dos fenómenos anteriores levam o investigador a afirmar que "existe a possibilidade de voltar a acontecer um novo sismo nos próximos dias". A situação está a ser acompanhada e, se necessário, "faz--se o alerta à protecção civil".

Algarve assustado

"Ouvi um barulho forte, esquisito, mais intenso que o vento, e de repente começou tudo a tremer. Lembrei-me logo do que aconteceu em 1969 e saí para a rua, cheia de medo". Poucas horas depois do sismo, Carmelinda Oliveira, telefonista da Câmara Municipal de Vila do Bispo, o concelho algarvio onde o sismo mais se fez sentir, ainda não estava refeita do susto.

Na outra ponta do Algarve, na localidade turística de Altura, Maria Filomena Palma contou ao DN que também ouviu um "som estranho". "Estava no quarto e de repente a cama começou a abanar fortemente e até perdi o equilíbrio. Um colchão que estava encostado à parede caiu e só tive tempo de me colocar debaixo da ombreira da porta."

De Alcoutim a Aljezur, toda a gente sentiu o sismo e houve muitas situações de pânico, com pessoas a sair para a rua, sobretudo com medo de réplicas. Em escritórios, cafés e pastelarias, o medo instalou-se e durante todo dia sucederam-se os relatos da experiência, embora o sismo não tenha causados estragos nem danos pessoais.

Segundo apurou o DN, muitos estabelecimentos de ensino accionaram os seus planos de emergência, "cumprindo à risca" as instruções aprendidas nos simulacros que habitualmente fazem, tal como constatou Lurdes Lança, a presidente da Escola E.B. 2,3 de Castro Marim. "Os alunos reagiram automaticamente, colocando-se sob as secretárias e saindo depois das salas, ao sinal do alarme, em fila indiana." Os 150 estudantes foram encaminhados para o campo de jogos, onde permaneceram 10 minutos, regressando depois às suas actividades normais. Duas alunas, do 7.º e 9.º anos, tiveram de ser assistidas no centro de saúde local, com "palpitações decorrentes do nervosismo em que ficaram".

Zonas atingidas

Na região de Lisboa e no Alentejo o sismo atingiu a intensidade IV na escala de Mercalli modificada. O regimento de Sapadores de Bombeiros da capital não recebeu nenhum pedido de ajuda, mas foram várias as pessoas que telefonaram para confirmar o abalo.

O sismo foi também sentido, com uma magnitude 4, em Espanha. Na Andaluzia, não se registava um sismo tão forte há mais de dez anos. Em Sevilha, centenas de trabalhadores abandonaram, por iniciativa própria, os locais de trabalho, vários edifícios oficiais e residências privadas. Fontes dos bombeiros da cidade referiram que os números de emergência ficaram saturados com telefonemas.

O sismo levou mesmo à evacuação de edifícios como a Torre Triana, o maior imóvel administrativo da Junta de Andaluzia, do Serviço Andaluz de Saúde e de vários outros edifícios no centro de Sevilha.


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