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Grupos cívicos do 'sim' e do 'não' vão persistir para além do referendo

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Paula Sá  

Da Associação Médicos pela Escolha, criada meses antes da campanha sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, nasceu o movimento de médicos que se bateu pelo "sim" até 11 de Fevereiro. O movimento desaparece, mas a associação prevalece com o intuito de centrar, para já, o seu trabalho em todas as temáticas ligadas à IVG, entre as quais ajudar a regulamentar a lei que a vai enquadrar. "O trabalho começa hoje", diz ao DN Vasco Freire, médico que foi um dos principais rostos dos Médicos Pela Escolha.

Este conjunto de profissionais - entre os quais se contam Maria José Alves, Ana Campos e Isabel do Carmo - querem "participar a sério" neste processo e aproveitar o conjunto de médicos de todo o País que se juntaram ao movimento para incentivar a formação nesta área.

A Associação Médicos pela Escolha, segundo Vasco Freire, vai promover colóquios e seminários sobre as experiências da interrupção voluntária da gravidez na Europa, convidando especialistas internacionais. Estes médicos pretendem ainda ter uma palavra a dizer na organização do Serviço Nacional de Saúde, capaz de responder com eficácia a esta nova realidade do aborto a pedido da mulher até às dez semanas de gravidez. Não estarão igualmente alheados do debate que se travará na Ordem dos Médicos sobre a objecção da consciência na classe e as necessárias alterações ao respectivo Código Deontológico.

"O nosso papel terá também a ver a os direitos sexuais e reprodutivos, da contracepção à educação sexual. E com a defesa de uma relação igualitária entre médico e doente, que ainda não existe em Portugal", acrescentou.

O horizonte do referendo

Nem todos os movimentos cívicos que se bateram pelo "não" à despenalização da IVG, em muito maior número que os do "sim", se vão manter activos no pós-referendo. "Muitos dos movimentos mais regionais devem desaparecer, embora muitos dos cidadãos que deles fizeram parte estejam integrados em associações e instituições sociais", afirma ao DN Isilda Pegado, mandatária da Plataforma Não Obrigada e presidente da Federação Portuguesa pela Vida.

A antiga deputada do PSD prevê que no próximo mês possa nascer algo de novo, gerado por pessoas que estiveram ligadas a alguns destes movimentos. E que talvez possa preparar terreno a um novo referendo sobre a IVG.


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