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Al Gore passa por Lisboa na rota para salvar a Terra

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Filomena Naves  

Foi como estar dentro do filme, mas em versão actualizada e com direito a emoções ao vivo. Al Gore entrou sorridente, no seu passo firme e lançou a saudação em português "obrigado". E a conferência, a que só teve acesso quem tinha convite, prolongou-se por quase duas horas, em que houve humor, muita ênfase e até alguns tons dramáticos bem estudados. No fim, Al Gore foi aplaudido de pé.

Mais de 600 convidados, entre empresários, políticos, governantes e ex-ministros, autarcas, investigadores, ambientalistas, gestores e vip avulsos ouviram ontem em Lisboa, no Museu da Electricidade, a verdade inconveniente de Al Gore, que é hoje a sua imagem de marca. A do aquecimento global, essa mesmo. E ouviram também o seu apelo final à acção política urgente para salvar o planeta. "Temos tudo o que é necessário para isso, menos a vontade política, mas esta é um recurso renovável", disse o ex-vice de Bill Clinton, numa interpelação directa à plateia.

Para quem não tinha visto o filme, terá sido um momento de revelação. Al Gore move-se com e simplicidade e firmeza através das questões científicas difíceis, demonstrando como o aquecimento da atmosfera tem na origem as emissões de gases com efeito de estufa - "actualmente são lançadas na atmosfera 70 milhões de toneladas diárias de CO " (dióxido de carbono), sublinhou Gore.

Mas há mais. As imagens dramáticas do que já está a acontecer pelo mundo fora, por causa das alterações climáticas - refugiados aos milhares de secas e cheias, prejuízos aos milhões causados por furacões de intensidades e em número sem precedentes - falam sozinhas. Al Gore também sabe ficar em silêncio no momento certo.

A sucessão de fotografias dos glaciares em sequências de antes e depois - em que o depois é hoje, e o antes era há 30 ou 40 anos - é outro momento forte da conferência. O gelo foi-se. Que mais dizer?

Quem leu o livro e, sobretudo quem viu o filme, registou com agrado as actualizações feitas, desde que An Inconvenient Truth foi lançado no ano passado. Um novo dado, sobretudo, sobressaiu nesta apresentação: o de que o gelo do Árctico pode desaparecer completamente dentro de 34 anos e que o da Groenlândia pode não resistir para lá de 2040, segundo estudos das últimas semanas. Depois dos números, das imagens e das palavras, veio o apelo em tom dramático: "Agir agora é o nosso dever moral para com o os nossos filhos e netos e para com o planeta."

Passados sete anos sobre o desaire das presidenciais de 2000, Al Gore tem hoje uma nova imagem, forte e positiva: a de um paladino por uma causa civilizacional. O filme Uma Verdade Inconveniente e as conferências, como esta, em que Gore se desdobra pelo mundo, foram a alavanca para a nova dimensão, que culminou na semana passada numa proposta para prémio Nobel da Paz 2007, pelo seu papel na divulgação do problema das alterações climáticas. Algo a que fugiu, porém, a conferência de ontem. Por exigência contratual do próprio Al Gore, a sessão foi restrita a convidados e não pôde ser registada pelos media.


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