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Freeport aguarda falência ou apenas dias melhores

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Eva Cabral e Isaltina Padrão  

"O Freeport de Alcochete já teve melhores dias!" Dos lojistas aos clientes, todos admitem que o maior outlet da Europa é hoje "uma sombra" do que foi, escassos dois anos após a sua inauguração, com pompa e circunstância, em Junho de 2004. Ao DN, os comerciantes garan- tem que os rumores de falência do centro já "circulam há algum tempo". Mas a administração do Freeport nega que o espaço possa enfrentar um processo de falência. A empresa, que o DN tentou contactar em vão, garan- te, em comunicado, que vai "investir significativamente" neste projecto.

Mas, enquanto investe e não investe, neste espaço não se fala noutra coisa que não esteja relacionada com um possível encerramento para breve. "Com o fecho das salas de cinema e o fim dos concertos, verificou-se uma redução grande na afluência, que tem vindo a agravar-se com o encerramento de algumas lojas", explica André Filipe, da Pull & Bear, que diz desconhecer centros comerciais de grande dimensão sem cinemas.

Em seu entender, são âncoras como esta, ou como os supermercados, que "podem ajudar a divulgar o centro e a fidelizar a clientela". E recorda que no Freeport até já existiu um minimercado que "tinha de tudo um pouco, mas que acabou por fechar". De qualquer forma, este responsável diz que na Pull & Bear - localizada mesmo à entrada - não há mãos a medir e que, apesar de tudo, o centro tem uma grande afluência nos fins- -de-semana e em certas alturas do ano, como o Natal, em que o lojista tinha de "estacionar fora do parque".

Uma outra comerciante, que opta por manter o anonimato, está segura de que "ainda falta muito para chegar a falência". No entanto, diz, "isto está fraquinho como se vê. Antes de abrir, não se falava noutra coisa a não ser no Freeport - o maior outlet da Europa(!) - e agora está às moscas".

Ironicamente, onde a apatia parece ter criado raízes foi nas zonas do Clautro e do Coreto - onde estão instaladas as lojas de design (uma das grandes apostas deste projecto). "Muitas estão a fechar porque, embora se encontrem nas zonas nobres do centro, estas são as mais escondidas", sublinha uma empregada da Gant, este sim um estabelecimento bem localizado - mesmo à entrada.

Os empregados da Hugo Boss vão mais longe e não têm dúvidas de que para além de faltarem atractivos para cativar clientela - os tais cinemas e espectáculos -, o problema do Freeport prende-se precisamente com a sua localização e com o facto de ser um espaço aberto. "Isto está fora de tudo. Para cá vir as pessoas têm de se deslocar de propósito. Além disso, a chuva impede a frequência e o calor atrai os mosquitos que, por sua vez, repelem os clientes", sublinham.

O que desgosta o casal Santos é o "abandono" a que foi votado o centro, que "já teve melhores dias, nomeadamente na restauração...".


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