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Helena Tecedeiro
Durante três noites consecutivas, na semana passada, Hillary Clinton sentou-se no sofá e respondeu às perguntas que os internautas lhe colocaram através do seu site. No dia 20, foi também na Internet que a senadora democrata lançou a candidatura à Casa Branca, juntando-se ao grupo de presidenciáveis que apostam neste meio para estreitar as suas relações com os eleitores.
Tal como os principais adversários democratas, o senador Barack Obama e o ex-governador John Edwards, Hillary dispensou o tradicional discurso televisivo para anunciar a candidatura às presidenciais de 2008. Um sinal de que os tempos estão a mudar. Depois da era radiofónica e televisiva, chegou a era da Internet. E não há candidato, mais ou menos famoso, que não tenha um site ou um blogue, no qual partilha com os internautas a sua visão para a América.
"A Internet é um suplemento e não uma alternativa ao uso dos meios de comunicação tradicionais" nas campanhas eleitorais, afirmou Lee Rainie. O director do projecto Pew Internet and American Life explicou ainda ao DN que a Internet "permite às pessoas criar o seu próprio meio de comunicação, o que democratiza a política em relação aos outros media". Rainie, um dos fundadores do instituto que analisa a forma como a Internet influencia a vida dos americanos, admitiu, no entanto, que a televisão continua a ser "de longe" o veículo mais usado pelos candidatos para transmitirem a sua mensagem.
Num país em que 73% da população tem acesso à Internet, esta ganhou um lugar central na estratégia de campanha dos dois principais partidos. Conhecidos pela perícia nos debates radiofónicos, os republicanos são, segundo o diário britânico The Guardian, mais lentos do que os democratas a aderir à Internet. Uma conclusão que Rainie rejeita, afirmando que os dois partidos apenas usam as novas tecnologias de forma diferente. "Os democratas têm maior liberdade de expressão nas suas comunicações com os eleitores, enquanto os republicanos pretendem manter maior controlo sobre a mensagem que estes transmitem", explicou o analista.
Nas intercalares de Novembro de 2006, a Internet foi determinante em algumas eleições. O senador da Virgínia George Allen, por exemplo, viu a sua reeleição (e as ambições presidenciais) esfumar-se quando surgiu na Internet um vídeo no qual usava a palavra "macaco" para se referir a um operador de câmara de origem índia que trabalhava para a campanha do seu adversário.
Pioneiro
Apesar de o senador republicano John McCain já ter usado a Internet para recolher fundos na campanha para as primárias republicanas de 2000, foi Howard Dean, o actual presidente do Partido Democrata, quem, quatro anos mais tarde, revelou aos americanos o poder daquele meio na política. O então governador do Vermont era quase um desconhecido quando decidiu candidatar-se à Casa Branca. Mas a forma como comunicava com os eleitores através do seu site e de um blogue, apresentando propostas e pedindo conselhos, levou-o a liderar a lista de candidatos às primárias democratas, que acabaria por perder para John Kerry.
Inovadores - como o do republicano Dennis Kucinich, onde os visitantes podem clicar sobre um mapa dos Estadas Unidos para encontrar outros apoiantes do congressista - ou tradicionais - como o do senador John McCain - os sites dos candidatos presidenciais partilham todos uma característica: um botão bem visível para as contribuições.
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