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"A vida concebida jamais será vencida"

por

Susete Francisco

Paulo Spranger (Imagem)  

"Somos um/somos dois/somos três/somos milhões/somos muitos a gritar não." Não foram milhões, mas foram milhares - oito a nove mil pelas contas da polícia, embora a organização tenha apontado 20 mil - os defensores do "não" no referendo de 11 de Fevereiro que se juntaram ontem numa Caminhada pela Vida nas ruas de Lisboa. Duas horas a pé, entre a Maternidade Alfredo da Costa e a Alameda, ao som de tantos slogans quantas as associações e organizações que se juntaram à marcha.

"Estes são os filhos da Nação/ crianças por nascer/ansiosos por viver/uma nova geração." Ao cântico que ia sendo entoado num trajecto que a organização dividiu por etapas - concepção, nascimento, infância, adolescência, juventude, idade adulta e idade dos avós - juntaram-se centenas de cartazes. Uma só mensagem, versões para todos os gostos: "Pela Vida, com Amor"; "Abortar por opção quando bate um coração? Não"; "Já fui embrião, agora ancião"; "Obrigado mãe, por ter nascido". E, numa caminhada que contou com a presença de inúmeras crianças, as vozes sempre a acompanhar, mesmo com ecos de outras marchas - "A vida concebida jamais será vencida!"

Encabeçada por nomes como Maria José Nogueira Pinto, o ex- -ministro das Finanças Bagão Félix, a fadista Kátia Guerreiro ou José Ribeiro e Castro (líder do CDS, partido que contou uma forte representação na marcha), contando com a presença de Aguiar Branco (deputado do PSD), Matilde Sousa Franco (deputada do PS), os centristas Luís Nobre Guedes e Paulo Portas, ou D. Duarte, foi a outros protagonistas que a caminhada deu voz, num palco montado na Alameda. Em defesa de uma "causa sem fim", sustentou então Margarida Neto, da Plataforma Não Obrigada: "Na vitória de 98 fizemos história, a partir de então foi uma bola de neve. Multiplicaram--se obras e instituições dispostas a lutar pela defesa da vida, somos hoje uma multidão de amigos, unidos pela mesma causa." Também defendida pela espanhola Esperanza, que há 12 anos sofreu um "aborto provocado": "Temos direito a que nos informem, temos direito a que nos dêem alternativas porque não queremos abortar." Pelo palco passaram também representantes de movimentos contra o aborto em França e Itália. "Nós, franceses, não desejamos que Portugal sofra uma catástrofe semelhante à que França tem sofrido", diria o francês George Martin, da associação Droit de Naître. "Roguemos à Virgem de Fátima que proteja este país e não permita que seja levado a apoiar uma cultura de morte", acrescentaria ainda, antes de defender que "o direito à vida é um direito natural, anterior ao Estado, consagrado no mandamento "Não matarás".

"Manifestação de cidadania"

Longe deste argumentário, Maria José Nogueira Pinto definiu a Caminhada pela Vida como uma "manifestação de cidadania que prova que a questão não é partidária, nem religiosa, é uma questão de sociedade". Uma "expressão de autenticidade e união em defesa do valor da vida", defendeu Bagão Félix, enquanto Ribeiro e Castro destacou a marcha como a prova da "vitalidade dos valores da vida e da família".

Entre os muitos anónimos que percorreram as ruas de Lisboa, Joana Monteiro, 23 anos, diz ter-se juntado à caminhada por defender que o "aborto não pode ser uma alternativa" - "Está a passar uma mensagem errada de que o aborto é uma opção igual às outras. Não é. E a solução para o que é clandestino não pode ser a legalização."


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