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Juros e lucros entregues ao estrangeiro batem recorde

por

Sérgio Aníbal  

Os juros a pagar a credores estrangeiros e os lucros que saem para fora do País vão, durante este ano e o próximo, bater novos máximos, prevê o Banco de Portugal. O ano passado, os estrangeiros tiraram em juros e lucros cerca de 1100 milhões de euros por mês, o equivalente a 36,6 milhões de euros por dia.

De acordo com os números projectados por esta entidade no boletim de Inverno publicado esta semana, a balança de rendimentos portuguesa poderá, em 2007, disparar para os 3,6% do PIB, continuando a subir para os 3,8% em 2008 (cerca de seis mil milhões de euros). Durante 2006 o valor foi de 2,9% do PIB, o que iguala o máximo de 2001.

A balança de rendimentos é composta pelas transferências de salários, lucros ou juros do estrangeiro para Portugal menos os mesmos fluxos que saem de Portugal para o estrangeiro. O alargamento do défice que se regista nos últimos anos e que deverá, agora, agravar-se significa que os rendimentos deste tipo que fogem do País para o exterior superam largamente aqueles que entram.

A componente com maior peso nesta balança é, claramente, a dos juros pagos por agentes económicos nacionais por causa dos empréstimos que assumiram no estrangeiro. Estão neste caso, em particular, os bancos, que, para conseguirem obter os fundos que depois emprestam às famílias e empresas portuguesas, recorrem primeiro ao crédito no exterior.

Outra componente importante é a dos lucros obtidos em Portugal por não residentes. O investimento directo estrangeiro cria emprego e faz crescer a economia. A compra por estrangeiros de acções de empresas nacionais dinamiza o mercado bolsista. Mas ambos têm a desvantagem dos lucros obtidos por essas empresas regressarem depois ao seu país de origem.

É por estas duas vias que Portugal está a ver o défice da balança de rendimentos crescer a um ritmo muito elevado. De acordo com os números do Banco de Portugal, a posição do investimento internacional (que junta o saldo das dívidas e das participações entre Portugal e o estrangeiro) passou de um valor equivalente a -9,6% do PIB em 1996 para -65,9% do PIB no final de 2005. Vista individualmente, a evolução da dívida ainda é mais impressionante. Em 1996, Portugal tinha uma posição positiva de 8,3% do PIB e em 2005 já tinha caído para -34%.

Perante esta escalada tão rápida dos montantes do capital estrangeiro presente em Portugal e das dívidas dos agentes nacionais ao exterior é natural que a factura, agora, comece a ser paga. Principalmente numa altura em que as taxas de juro estão a subir, agravando os custos deste financiamento.


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