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Alterações climáticas: um dos temas fundamentais na agenda de 2007

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Filomena Naves  

"Nos próximos anos, a questão das alterações climáticas eclipsará todas as outras, transformando-se noúnico assunto em discussão." Dito assim, a frio, parece uma afirmação tirada de uma profecia deste tempo de milenarismos. Mas não é. A convicção foi expressa em 2005 pelo australiano Tim Flannery em Os Senhores do Tempo (Editorial Presença, 2006), livro marco na divulgação do problema e na consciencialização da opinião pública. O ano de 2007 não será esse momento de consciência plena de políticos e cidadãos, para a necessidade de uma acção rápida, concertada e global no combate às alterações climáticas. Mas este já não é o problema longínquo que era até há pouco. O ano que passou mostrou que as coisas estão a evoluir mais rapidamente na opinião pública. 2006 foi ano do filme Uma Verdade Inconveniente, de Davis Guggenheim, baseado no livro homónimo de Al Gore, que à sua conta deve ter feito mais pela consciencialização do problema, nomeadamente nos EUA, do que muitos livros e artigos de divulgação. Mas 2006 foi também o ano do relatório Stern, um documento encomendado pelo primeiro-ministro britânico Tony Blair ao economista seu compatriota Nicholas Stern, que pela primeira vez colocou o problema no plano económico e mostrou preto no branco os custos globais a prazo, se tudo continuar na mesma. Com isso, Stern pôs a questão num novo patamar.

Consequência disso, ou não, a última conferência da ONU sobre o clima (a COP 12), que reuniu dirigentes de 180 países no Quénia, em Novembro, conseguiu consensos sobre alguns pontos importantes considerados difíceis. Entre eles, a criação do primeiro imposto global para um Fundo de Adaptação no combate ao aquecimento global. O fundo está decidido, resta encontrar a entidade internacional que vai geri-lo. Este é um dos temas quentes para a próxima COP, em Bali, Indonésia, em Dezembro. Outra decisão para essa cimeira, que da parte da União Europeia é liderada por Portugal, nessa altura na sua presidência, é a hipótese de prolongamento do Protocolo de Quioto para lá de 2012. A esta distância, o desfecho da COP é uma incógnita, mas o que sair de lá, mostrará até que ponto os líderes mundiais então empenhados na solução do problema. 2007 é ainda o ano do novo relatório do IPPC, o painel de peritos que no âmbito da ONU estuda o clima. E se antes não havia certezas, seis anos depois, o IPCC já não tem dúvidas: a responsabilidade do que está a acontecer é do Homem. Resta saber que efeitos terá esse veredicto.


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