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Euro recebe 13.º membro em fase de baixa popularidade

por

Sérgio Aníbal  

As críticas dos governos ao Banco Central Europeu (BCE) estão a subir de tom e as respectivas populações mostram cada vez mais o seu descontentamento, mas a verdade é que, a partir do próximo dia 1 de Janeiro, mais um país vai adoptar o euro como divisa oficial. Dentro de três dias, a Eslovénia vai substituir o tolar pela moeda única e tornar-se o 13.º membro da Zona Euro. Outros membros da UE (incluindo a Roménia e a Bulgária que agora entram) perfilam-se como futuros candidatos à mudança de divisa.

Este alargamento, o primeiro desde que a Grécia entrou em 2002 no clube restrito de doze, acontece numa altura em que, em algumas das principais economias europeias, o euro atinge pontos mínimos nos seus níveis de popularidade. Uma sondagem divulgada ontem mostra que, em França, 52% das pessoas consideram que o euro tem sido "uma coisa má" para o país, superando 46% que têm uma opinião positiva relativamente aos efeitos da nova divisa. Na Alemanha, durante a semana passada, uma outra sondagem revelava que 58% dos alemães defendem o regresso do marco.

Alemanha e França são as duas maiores economias da Zona Euro. O descontentamento das suas populações esteve, no início, relacionado com as subidas de preços registadas no período de introdução física das notas e moedas de euros, mas agora tem mais a ver com o ciclo de subidas de taxas de juro e com a apreciação da divisa face ao dólar, o que dificulta as exportações.

Os responsáveis políticos dos dois países têm liderado na demonstração desse descontentamento e apontam as suas miras a Frankfurt. Principalmente em França. O primeiro-ministro Dominique de Villepin já disse que o BCE deveria preocupar-se mais com o crescimento e menos com os preços. Os dois principais candidatos presidenciais para 2007 são ainda mais duros nas críticas, tendo Segolene Royal dito que as decisões de política monetária devem ser tomadas pela população.

Noutros países, como a Itália e Portugal, as economias acumularam desequilíbrios e caíram numa acentuada crise económica. Alguns lamentam-se agora de não poderem recuperar a competitividade através de uma desvalorização da sua divisa e de terem de apresentar uma política orçamental restritiva para cumprirem as regras do Pacto de Estabilidade. Em Itália, vários membros do anterior Governo chegaram mesmo a referir a possibilidade do país abandonar o euro

O presidente do BCE, o francês Jean-Claude Trichet, tem respondido a estas críticas em tom bastante agressivo. Por um lado diz que as taxas de juro ainda estão a níveis históricos muito baixos, por outra não admite a possibilidade de qualquer redução da independência do BCE.

Eslovenos prontos

Apesar deste clima negativo nas maiores economias europeias, o entusiasmo dos eslovenos não esmorece. Todo o processo prático de troca do tolar pelo euro está a ser preparado há já bastante tempo e, de acordo com o mais recente relatório da Comissão Europeia, tudo está a postos para uma operação bem sucedida.

Ainda assim, da parte do Governo, nota-se a preocupação em relação a uma boa aceitação da nova moeda por parte da população. Para já a prioridade está centrada na possibilidade da introdução da nova moeda poder induzir uma subida de preços que faça subir a desconfiança da população relativamente ao euro.

Numa entrevista recente à agência Reuters, o primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa, diz que aprendeu com os erros dos outros países e que vai tentar evitar a ocorrência de uma subida de preços relacionada com a adopção do euro. O líder do governo esloveno defende que conseguiram envolver as empresas neste esforço e destaca o facto da apresentação dos preços em euro ser obrigatória desde Março. Ainda assim reconhece que "a situação é perigosa", devido ao facto de um euro valer 239 tolares, o que torna os arredondamentos para cima mais apetecíveis.

Janez Jansa, nesta entrevista, não referiu outros riscos a médio e longo prazo, como a possibilidade de acumulação de desequilíbrios e a perda de competitividade de uma economia pequena como a eslovena.


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