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Isaltina Padrão
É um exemplar único devido à sua dimensão, idade e porte. E, acima de tudo, ao seu valor económico e patrimonial. Por todas estas razões, a centenária palmeira (tamareira, mais exactamente) de 20 metros de altura, que impedia a conclusão das obras do Eixo Norte-Sul no Lumiar, foi ontem transplantada para um local a 15 metros de distância.
"Esta é já uma margem suficiente para prosseguir com a obra e salvar este exemplar que, de acordo com a norma de Granada [medida utilizada para a valorização económica das árvores], vale mais de cem mil euros." A explicação é de António Prôa, vereador do pelouro do Ambiente e Espaços Verdes de Lisboa, entidade responsável pelo transplante orçado em 13 mil euros.
Confiante na sobrevivência deste exemplar único na cidade, o autarca diz, no entanto, que só "daqui a cinco ou seis anos é que se pode saber se a árvore resiste ou não". Mas, segundo os dados da autarquia, as taxas de sucesso dos transplantes rondam os 90 a 95%.
Tradicionalmente, a phoenix dactylifera, vulgarmente conhecida como tamareira, é formada por vários caules, neste caso seis. "Mas normalmente é condicionada, por acção humana, a um caule", esclarece o responsável pela gestão e manutenção das árvores da cidade, Hélder Dias.
Segundo este especialista, a singularidade da palmeira agora transplantada deve-se ao facto desta ter crescido até aos 20 metros de altura sem condicionalismos.
As suas 63 toneladas, distribuídas por seis cales bem conservados, contribuem, segundo Hélder Dias, para a especificidade deste exemplar, cuja transplantação foi feita por uma dezena de homens em dois dias (segunda e quarta-feira). "Foi uma operação de difícil execução em que usámos maquinaria especializada", sublinha Hélder Dias.
A especificidade desta árvore já levou a autarquia a decidir propor a sua classificação patrimonial. Uma decisão que cabe apenas à Direcção-Geral das Florestas.
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