Publicidade
Diário de Notícias Diário de Notícias


tema

Ter 1700 euros equivale a estar entre os mais ricos

por

Isabel Lucas  

Possuir um património pessoal igual ou superior a 1700 euros significa pertencer à metade mais rica da humanidade. A conclusão é de um estudo das Nações Unidas divulgado ontem em Helsínquia e que quantifica desigualdades gritantes na distribuição da riqueza à escala planetária.

De acordo com os resultados desta investigação, 2% dos adultos mais ricos do mundo possuem mais de 50 por cento da riqueza mundial, enquanto os bens de metade da população não ultrapassam, no seu conjunto, 1% cento da riqueza global.

O diagnóstico refere-se ao ano 2000 e incide sobre o património da população adulta mundial. Os resultados confirmam uma concentração de riqueza e mostram "que as desigualdades de património são agora muito maiores que as desiguladades de rendimentos", sublinhou Anthony Shorrocks, director do Instituto Mundial para a Investigação e Desenvolvimento Económico da Universidade das Nações Unidas (World Institute for Development Economics Research of the United Nations University, UNU-WIDER, organismo que promoveu a investigação).

Tomando o dólar como moeda de referência, o Estudo sobre a Distribuição da Riqueza nas Famílias é apresentado como "o mais completo sobre a riqueza pessoal" e dava conta de que nesse ano, 2000, existiam 499 bilionários no mundo e 13 milhões de milionários. Revelava ainda que um por cento dos adultos mais ricos possuíam 40% dos activos globais e que 10% detinham 85 por cento do património tangível mundial.

Façam-se as contas. Se ter 1700 euros (2200 dólares) é suficiente para pertencer à metade rica da população (o que em Portugal equivale a ser proprietário de um bom computador portátil), possuir bens tangíveis no valor de 61 mil dólares (cerca de 50 mil euros, o que é o mesmo que dizer ser dono de um T0 usado em Sintra) chega para integrar o grupo dos dez por cento de adultos mais afortunados do mundo. Continuando a subir na escala: quando o património pessoal contabilizar uma soma igual ou superior a 500 mil dólares (384 mil euros, que podem equivaler, por exemplo, a um apartamento T3 em Telheiras), dá direito a integrar um conjunto de "eleitos" que não ultrapassa 1% da população adulta mundial. Ou seja, a ser um entre os 37 milhões de adultos privilegiados do planeta.

A medida da riqueza

Este estudo da UNU-WIDER é o primeiro sobre esta temática a cobrir todos os países do mundo e a incluir aquelas que são apontadas como as principais componentes da riqueza doméstica ou familiar, incluindo activos e passivos financeiros, terrenos, edifícios e outro património tangível.

Nesta perspectiva - como esclarece James Davies, um dos co-autores do estudo -, o conceito de riqueza deve ser entendido não enquanto somatório de "receitas monetárias", nem inclui o valor que pode advir da criatividade ou habilidade pessoal, e que costuma, em muitos casos, ser tido em conta pelos economistas. Aqui, riqueza deve ser entendida como "valor líquido", ou seja "o valor dos activos menos os passivos físicos e financeiros".

Esclarece ainda James Davies que"a riqueza representa a propriedade de capital. Apesar de o capital ser só uma parte dos recursos pessoais, considera-se que tem um impacto desproporcionado no bem--estar da família (no lar), no sucesso económico, e, num sentido mais amplo, no crescimento e desenvolvimento económicos."

Resumindo: para elaborar este estudo os investigadores da UNU- -WIDER somaram os activos de cada indivíduo adulto, deduzindo as suas dívidas e tendo em conta tanto as taxas de câmbio como o poder de compra.

É assim que, partindo dessa concepção de riqueza, se estranha menos um aspecto que à partida poderia parecer surpreendente e que os autores da investigação destacaram ontem na conferência de imprensa de apresentação dos resultados: o facto de muitas pessoas de elevados rendimentos, em países ricos, "apresentarem um património líquido negativo e - paradoxalmente - serem os mais pobres do mundo em termos de riqueza doméstica".


ImprimirImprimirEnviar por EmailEnviar por Email
PartilharPartilhar


Siga-nos em
Especiais

Recuar
Avançar
PUBLICIDADE


RSS


PATROCÍNIO
sondagem

Inquérito DN

Quem tem mais culpas na má época do Sporting?

José Eduardo Bettencourt
Paulo Bento
Carlos Carvalhal
Pedro Barbosa
Sá Pinto
Os jogadores
Votar  Ver Resultados




Desporto

Todas as notícias

Todas as notícias

Portugal

Grande Entrevista

Grande Entrevista

Desporto

Inscreva-se

Inscreva-se

Cartaz

ESPECIAL ELVIS

ESPECIAL ELVIS




Diário de Notícias, 2009 © Todos os direitos reservados | Termos de Uso e Política de Privacidade | Ficha Técnica | Publicidade | Contactos