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"Numa equipa, o talento de uma pessoa só nada serve"

por

Maria João Espadinha

Leonardo Negrão (foto)  

Tomaz Morais

Seleccionador nacional de râguebi

Licenciado em Educação Física e Desporto pela Universidade Lusófona, onde dá aulas actualmente

Sob a sua liderança, Portugal venceu pela primeira vez uma competição internacional nesta modalidade.

É responsável pela formação contínua dos quadros de topo e técnicos da Sporting SAD, nas áreas de liderança, motivação, comunicação e condução de equipas

A gestão de equipas desportivas é 100% aplicável às empresas?

Penso que sim. O modelo de gestão de uma equipa desportiva é muito semelhante ao de uma empresa, seja ela de que ramo for. O produto das pessoas, o objectivo final, o meio de trabalho, os recursos, etc., são todos diferentes, mas o modelo a aplicar é comum. Podem tirar-se mais valias do meio empresarial para as equipas de alto rendimento e vice-versa.

A grande dificuldade é pôr todas as cabeças a trabalhar como uma só. Como podemos, dentro de uma estrutura, interligar os diferentes sectores, os diferentes objectivos e pô-los a trabalhar em conjunto. Aí entra o processo de liderança, que é fundamental e é o que marca de forma positiva ou negativa uma empresa. Como suporte estão os valores da equipa e da empresa. Passa pela existência do altruísmo, para que não haja egocentrismo, que as pessoas não vejam a sua função como a principal da empresa.

Mas no desporto, como nas empresas, há as chamadas estrelas.

Quando recrutamos, queremos as pessoas com melhor e maior capacidade. É evidente que o talento é fundamental. Agora, passa por saber gerir e tirar rendimento desse mesmo talento. Costumo dizer que numa equipa, seja ela qual for, o talento de uma pessoa só nada serve. Uma equipa vale sempre pelo conjunto, pela associação de talentos e por como consegue pô-los a trabalhar.

Este trabalho é da responsabilidade da liderança. Por vezes, os líderes querem ser estrelas, pessoas de grande mediatismo e envolvimento. Não é bom. É importante que o líder seja a imagem da equipa, mas o que deve ser valorizado é a equipa e não ele próprio.

A ligação entre as empresas e o desporto é crescente. Porquê?

Os dois mundos sempre estiveram ligados, só que o desportivo tornou-se muito mais comercial nas últimas décadas, anteriormente era visto como uma actividade secundária. A exigência de rendimento que uma equipa desportiva tem dá bons exemplos às empresas e aos seus colaboradores: que é possível fazer coisas, trabalhar, atingir resultados e ir mais longe. É isto que as empresas querem dos líderes desportivos.

Considera-se capaz de liderar uma empresa?

Penso que sim. Teria de ter uma grande aprendizagem no meio e no objectivo da empresa. Agora, se for para trabalhar o produto no campo, duvido que alguém que venha do rugby perceba o suficiente para o fazer, mas como dirigente, director ou presidente, é possível.


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