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Televisão ainda não faz uso óptimo da Net

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Ana Pago  

À luz do actual jornalismo online e do modo como o jornalismo televisivo de referência usa a Net no estrangeiro, o alerta dos investigadores é incisivo: "As edições online das televisões generalistas portuguesas ainda estão longe de uma apropriação optimizada das potencialidades" da Rede, afirmam Gustavo Cardoso e Sandra Amaral no relatório do Observatório da Comunicação (OberCom) para 2006.

O País tem aproveitado as mais- -valias do ciberespaço, "as televisões servem-se cada vez mais da sua presença online para projectar uma imagem de actualidade e modernidade" junto do público. Mas, para os investigadores, os tempos actuais são essencialmente de consolidação da importância dos sites televisivos. Que se debatem ainda com "problemas financeiros e organizacionais de difícil resolução a médio prazo".

"Neste momento, a grande maioria [de jornalistas] olha-nos com algum desdém", confirma o subcoordenador da redacção online da SIC, Ricardo Rosa, referindo-se ao sentimento de desvalorização que as redacções principais manifestam pelo trabalho online - e que constitui uma das principais dificuldades. Uns chamam-lhes jornalistas de secretária, "outros pensam que estamos a copiar o trabalho deles". Felizmente para o responsável, "é uma maioria menor do que era há quatro anos, vai havendo uma integração".

Por acreditar no papel do multimedia, o coordenador da redacção online da TVI, Paulo Bastos, lamenta a falta de tempo ditada pelas prioridades editoriais (as notícias de última hora) e a escassez de recursos humanos, técnicos e financeiros.

Já José Alberto Carvalho, antigo director do projecto editorial da RTP online, garante que "as unidades multimedia das estações de televisão têm um papel muito importante de desbravar caminho e de solucionar problemas com que se defrontam as equipas de produção convencionais".

Laços de complementaridade

Da análise comparativa dos telejornais da RTP1, SIC e TVI em 2004/ /2005, Gustavo Cardoso e Sandra Amaral concluíram que há "mais diferenças (intra e inter) media do que regularidades" no alinhamento noticioso on e offline. Conteúdos noticiosos e manchetes diferem na homepage e no alinhamento dos telejornais.

"O principal objectivo é a última hora", diz Ricardo Rosa. "Damos notícias que não são interessantes para o público generalista do Jornal Nacional mas são para nós", apoia Paulo Bastos. Todos os responsáveis apontam novos modelos de negócio para sustentar os sites e a imagem das televisões, elogiam a complementaridade do online e aproveitam o espaço ilimitado da Net para publicar mais notícias - apesar de estas não se traduzirem na promoção de actores e temas menos explorados no offline.

Ainda distante, o caminho tende, contudo, "para que as redacções multimedia concentrem a parte de leão da produção", prevê José Alberto Carvalho. O futuro o dirá.


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