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Pista de gelo funciona até 21 de Janeiro

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Joana Pinheiro

Em Torres Vedras  

De mãos dadas, pé ante pé, José Gonçalves entra com o filho de quatro anos na pista de gelo. "Tenho medo de cair", diz Tomás, com um ar envergonhado. Juntos dão os primeiros passos na pista. Aos sete anos Fábio desliza sobre o gelo com uma segurança de fazer inveja a muitos adultos. Percorre a pista em poucos segundos, faz curvas apertadas e ensaia algumas manobras artísticas. Sentiu pouca diferença quando trocou os patins do hóquei pelos do gelo. "Mas aqui é mais difícil manter o equilíbrio", afirma. No recinto do pavilhão multiusos da Expotorres, em Torres Vedras, a temperatura ronda os sete graus. O investimento é de 80 mil euros e a empresa responsável pelo evento espera acolher mais de 40 mil visitantes.

"É a maior pista de gelo natural do País, com 630 metros quadrados", garante Sérgio Lopes, da empresa municipal Promotorres. A montagem foi feita em três dias. "Definimos a área do recinto, com madeira e plástico, e instalámos os tubos que fazem a circulação do anticongelante. A água vai sendo congelada e formam-se sucessivas camadas de gelo, que chegam a atingir os 16 centímetros de altura", explica o responsável. "No fim do dia a pista é limpa com água, verificamos a temperatura dos geradores, e no dia seguinte está pronta para receber novos utilizadores", acrescenta Marcos Agostinho, formador especializado.

Tomás Gonçalves, 14 anos, e Luciano Radu, 17, substituem os ténis pelos patins azuis, o passaporte para "uma tarde de diversão". A primeira de muitas, já que os dois amigos querem deslizar no gelo "todos os dias depois das aulas e aos fins-de-semana".

Segundo a organização, cem pessoas podem patinar em simultâneo na pista. "As crianças e os adolescentes são os melhores alunos, têm mais flexibilidade e rapidamente perdem o medo", explica Marcos. Manter o equilíbrio e não ter medo de cair parecem ser a chave para aprender a deslizar no gelo. A prática de certos desportos, como o surf, o snowboard ou ski também ajudam.

"Todas as pessoas devem experimentar. Em 95% dos casos, depois de meia hora na pista, conseguem patinar sozinhos", assegura o formador. Depois de duas décadas a jogar hóquei no gelo, Marcos Agostinho, 33 anos, ensina alguns truques aos mais novos. "Este é o lugar ideal para quem quer aprender a patinar. Como o gelo é natural a pista torna--se menos dura. Se cairmos não faz doer tanto", sublinha.

"Este espaço foi criado para quem gosta de patinar mas também propicia uma boa tarde em família. Há café, restaurante, diversos pontos de venda, um ecrã gigante que passa concertos e ao fim-de-semana música ao vivo", sintetiza Sérgio Lopes. "Se se mantiver a tendência deste primeiro fim-de-semana, mais de 70% das pessoas vão querer experimentar a pista", conclui. Por três euros é possível patinar 30 minutos (uma hora custa cinco euros). Até 21 de Janeiro são esperados mais de 30 mil utilizadores. De segunda a sexta-feira, das 10.00 às 15.00, o pavilhão acolhe as crianças das escolas da região oeste.


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