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por
Helena Tecedeiro
Não podemos pedir às pessoas para separarem as suas convicções da vida pública, explicou ao DN George Weigel. O teólogo americano esteve em Lisboa na passada semana a convite do Instituto de Estudos Políticos para dar uma palestra na Universidade Católica.
Qual o papel de Deus na política americana?
Cerca de 90% dos americanos dizem acreditar em Deus e levam essa convicção para todos os aspectos do quotidiano. Não há nada na ideia de democracia que os impeça de o fazer. Mas é preciso que aprendam a falar em público de forma a que quem não partilha a sua visão teológica compreenda a mensagem. É o que eu chamo de "gramática pública" para a vida política. Mas a ideia, surgida no século XVIII em França, de que podemos abandonar parte das nossas ideias quando entramos na esfera pública é errada. E não é democrática. Não se pode dizer às pessoas para deixarem as suas convicções à porta como deixam o casaco, o chapéu ou a sombrinha.
A perda de influência da direita nas eleições intercalares significa o fim do domínio dos neoconservadores?
As intercalares não são muito importantes nos EUA. Além disso, o número de lugares que os democratas conquistaram não foi excepcional e muitos dos novos congressistas vindos do Sul são conservadores e religiosos. Por isso, quem pensar que estas eleições marcam uma viragem na política americana está errado.
Imagina um presidente dos Estados Unidos ateu?
Não. Mas também podemos perguntar se é credível um presidente mórmon. Ser católico ou judeu já não é problema. Joe Lieberman teria sido um forte candidato em 2004. O mais próximo que tivemos de um candidato secular foi Michael Dukakis, que sofreu uma pesada derrota em 1988.
Os americanos aceitariam mais facilmente uma mulher ou um negro do que um ateu na Presidência?
Sem dúvida. O sexo e a raça não são questões de topo, mas alguém que considere a fé como uma superstição estará fora da corrida.
Porque é que a religião tem menos peso na política europeia do que na americana?
A primeira razão é que o cristianismo é mais praticado nos EUA do que na Europa. Em segundo lugar, na maior parte da Europa Ocidental o conceito de democracia foi influenciada pela Revolução Francesa e pela ideia de que o estado democrático deve ser laico. Os EUA, pelo contrário, foram criados a partir de uma base religiosa.
O ateísmo europeu explica a polémica em torno da referência às raízes cristãs da Europa no preâmbulo da constituição europeia?
Esse é um argumento disparatado e assustador. É disparatado afirmar que o cristianismo não teve qualquer influência na formação dos valores europeus e é assustador porque se trata de uma leitura errada e distorcida do passado que passa para um projecto futuro. Seria mau para a democracia se retirasse a religião para estabelecer o secularismo como ideologia oficial da UE.
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