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por
Joana Pereira
O frio e o vento que se faziam sentir, ontem à tarde, na movimentada Rua Augusta, em Lisboa, não demoveram as muitas pessoas que acorreram ao pedido do Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo Sim (MCRS). Em apenas uma hora, o movimento cívico conseguiu reunir cerca de 170 assinaturas, "o que equivale a quase três assinaturas por minuto, e isto de forma absolutamente espontânea", fez questão de frisar Manuela Tavares, uma das mandatárias do movimento e presidente da União de Mulheres Alternativa e Resposta.
Foram sobretudo adultos e idosos aqueles que se dirigiram à pequena "banca" montada em pleno centro de Lisboa. A acção de recolha de assinaturas - a primeira a ocorrer em Lisboa - contou com a presença de Inês Pedrosa e de Eduardo Prado Coelho, uma das últimas personalidades a aderir ao MCRS.
Lançado há 12 dias, o movimento já conseguiu angariar mais de duas centenas de adesões. Aos nomes das escritoras Agustina Bessa-Luís e Lídia Jorge, de Anabela Mota Ribeiro e Bárbara Guimarães, jornalistas, juntam-se agora personalidades como o actor Rogério Samora e o escritor Rui Zink. Mas a adesão mais saudada parece ser a da artista plástica, Paula Rego. "Gostaria de realçar a presença da pintora, uma vez que, de forma espontânea, telefonou-nos de Londres para participar no movimento", conta Manuela Tavares.
A adesão de figuras públicas tem oferecido crescente visibilidade ao MCRS. Eduardo Prado Coelho não ignora a "dimensão mediática" do movimento: "A visibilidade dos movimentos cívicos potencia uma discussão mais racional e informada", considera o escritor.
Os grupos de cidadãos que pretendam participar activamente numa campanha sobre o referendo à despenalização do aborto têm de apresentar, para além de uma lista de 25 mandatários, um total de cinco mil assinaturas, até 15 dias depois do Presidente da República convocar o referendo.
Com iniciativas de angariação de assinaturas a decorrer em vários pontos do País, como no Porto, Coimbra e Setúbal, as mandatárias do MCRS acreditam ter reunido mais de duas mil assinaturas. "Ainda não as contabilizámos todas, uma vez que as acções de recolha têm sido muito dispersas. Mas sabemos que já recolhemos muitas", referiu Ana Sara Brito, dirigente socialista.
Para Inês Pedrosa, outra das mandatárias do MCRS, a necessidade de angariação de cinco mil assinaturas "é sintomático de que algo vai mal na nossa sociedade. A acção política acaba por estar vedada à participação dos cidadãos, remetendo-se apenas aos partidos políticos". Segundo a escritora, esta condicionante pode ainda ser mais "grave, se tivermos em conta que a campanha pelo 'não' no referendo ao aborto acaba por ter mais tempo de antena, todas as semanas, nos púlpitos das igrejas".
Para já, as acções do MCRS continuarão a focar-se na recolha de assinaturas. Contudo, o movimento cívico pretende "dinamizar outro tipo de acções, a começar pela recolha de fundos", conta Manuela Tavares.
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