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por
Marina Almeida
Acabar com as lixeiras que se formam à volta dos ecopontos em Lisboa está nas mãos... dos lisboetas. Esta é a convicção do director municipal de Ambiente Urbano, Ângelo Mesquita, que rejeita aumentar a periodicidade da recolha dos resíduos: "Se queremos participar no esforço de reciclagem, só faz sentido se não houver um acréscimo de custos e não estivermos a penalizar a atmosfera com a emissão de mais dióxido de carbono com a circulação das viaturas automóveis."
A autarquia está a trilhar novos caminhos, com a recolha selectiva porta-a-porta. "Os grandes desafios de reciclagem em Lisboa são acabar com os ecopontos e aproximar a remoção ou deposição de resíduos sólidos urbanos [RSU] da população", disse ao DN Ângelo Mesquita. A iniciar-se está também a recolha selectiva em restaurantes, cafés, hotéis e escritórios de 17 freguesias.
O responsável pelo Ambiente Urbano diz mesmo que "o ecoponto foi uma má solução" porque "canibaliza" um sistema já enraizado nas populações de recolha porta-a-porta do lixo indiferenciado. E explica como: "Quando as pessoas sabem que aqueles contentores são delas há um cuidado diferente. Ao introduzir equipamentos de utilização colectiva [ecopontos], que obrigam a uma deslocação, as pessoas têm um contentor no seu prédio mas concluem que quanto menos o usarem menos gastam em manutenção, a pagar as lavagens. E é muito mais cómodo pela calada da noite depositar o saco do lixo atrás do ecoponto."
Para o responsável, "uma reciclagem mais eficaz passa por aumentar os depósitos e pela participação da população." A autarquia está a "procurar as soluções mais adequadas à realidade local", que passam já pela recolha selectiva porta-a -porta com recurso a contentores (em prédios que ofereçam condições para tal) ou sacos de plástico (nos bairros históricos) e pelas "ilhas ecológicas".
Na Quinta dos Barros os grandes contentores destinados à reciclagem ainda cheiram a novo (foram instalados em Outubro) e já estão rodeados de pneus e sacos de lixo comum. Maria do Rosário aponta o dedo às vizinhas dos outros blocos, "umas porcas" que "deixam o lixo no chão" no seu contentor. "Devia haver uma multa", diz. E encontra ainda outra explicação para o lixo fora dos depósitos: "Muitos mandam os filhos levar o lixo e as crianças não chegam à tampa do contentor."
Ângelo Mesquita diz que "a fiscalização da CML não tem competências para identificar o munícipe, só a polícia pode fazê-lo. E nem sempre os fiscais andam com a polícia." Para o responsável "a mudança de procedimentos passa pela mudança de gerações" porque "nesta batalha o que nos traz frutos é a sensibilização."
O "tratamento e destino final" de materiais destinados à recicla- gem custou à autarquia em 2005 quatro milhões e 900 mil euros. Isto porque a câmara recebeu contrapartidas da Valorsul no valor de 850 mil euros. "Baixámos para metade os custos em três anos", aponta Ângelo Mesquita. "As pessoas têm que ter a noção que este é um serviço que custa dinheiro e é um dos mais caros em zonas urbanas. Só é possível reduzir custos se a população par- ticipar activamente", enfatiza.
Na Quinta da Luz, em Carnide, onde funciona o sistema de recolha selectiva com recurso a contentores, Maria da Luz, empregada doméstica, explode mal se fala no lixo: "é uma confusão!" Os enormes contentores ocupam as zonas de passagem do prédio e são frequentes os maus-cheiros. Os condóminos têm dias específicos para depositar os sacos de lixo comum ou para reciclar nos contentores, mas a maioria acaba por não cumprir: "As pessoas não têm espaço para guardar o lixo em casa", aponta.
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