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A economia mundial deverá continuar a crescer em 2007, mesmo que o ritmo de expansão seja menos sustentado, mas os bancos centrais vão ter de manter uma vigilância apertada da inflação, que está a ser pressionada pelos elevados preços do petróleo, alertou ontem Jean- -Claude Trichet, o presidente do Banco Central Europeu (BCE).
"Enfrentamos um risco real da inflação poder criar um ambiente que não permita um crescimento sustentado", advertiu Trichet, à margem da reunião dos governadores dos dez grandes bancos centrais (G-10), que decorreu em Sidney , na Austrália.
"Nas últimas semanas, os preços do petróleo baixaram. Mas a incerteza mantém-se - o crude poderá voltar a subir e teme-se que o agravamento dos preços, desta e de outras matérias-primas, possa repercutir-se nos preços no consumidor", declarou o presidente do BCE, deixando no ar a possibilidade de uma nova subida das taxas de juro europeias.
O BCE, que desde Dezembro de 2005, aumentou as taxas directoras de um mínimo histórico de 2% para os actuais 3,25%, deverá voltar a agravar as taxas para 3,50% já na reunião de 7 de Dezembro, apesar das pressões políticas de muitos países da Zona Euro, nomeadamente da França que, em plena campanha eleitoral, acusa a autoridade monetária de "não levar em conta o impacto na retoma da economia".
Os economistas prevêem mesmo que, com as pressões inflacionistas a acelerarem à medida que a economia europeia recupera, as taxas de juro da Zona Euro poderão subir até aos 4,50% na primeira metade de 2007, travando o consumo das famílias.
A Associação de Bancos alemã (BDB) também defende que, após a subida de Dezembro, o Banco Central Europeu deveria fazer uma pausa para "tomar o pulso" o impacto do agravamento dos juros na economia, uma vez que a retoma europeia já vai certamente ressentir-se do efeito da subida do IVA na Alemanha e que a o risco de aceleração da inflação "pode ser gerido".
O BCE deveria esperar "dados fiáveis sobre os efeitos nos preços e crescimento" do aumento do IVA antes de agir novamente, considera a BDB, prevendo que a economia da Zona Euro cresça apenas 1,75% em 2007, bem abaixo dos 2,5% previstos para este ano, enquanto a inflação, quando se excluir o efeito do agravamento do IVA, poderá situar-se um pouco abaixo da meta de 2% fixada pelas autoridades monetárias europeias.
Mas não é só o BCE que tem o problema da inflação entre mãos. Depois de vários meses de estabilização das taxas em 5,25%, a Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) vê-se agora confrontada com um dilema - baixar as taxas para evitar um arrefecimento mais brusco da economia; ou voltar a subi-las para travar as pressões inflacionistas que ainda persistem.
O próprio Banco do Japão poderá, em breve, endurecer mais a sua política monetária. O preço do dinheiro subiu para 0,25% em 14 de Julho, quando Tóquio pôs finalmente fim à sua política de taxa de juro zero, na sequência de um prolongado período de deflação, iniciado em 1998. VM
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