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Transportes de Lisboa e Porto perdem 315 milhões

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Ana Suspiro  

As empresas públicas de transportes das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto deverão chegar ao final do ano com um prejuízo operacional global de 314,7 milhões de euros. Esta estimativa, realizada em Julho num estudo para o Governo sobre as fontes de financiamento dos transportes públicos, representa um ligeiro agravamento da ordem dos 2% face a 2005, não obstante os apoios do Estado terem aumentado 8,9%. Estes montantes não incluem provisões nem subsídios à exploração.

Na área de Lisboa, os dados referem-se ao Metropolitano de Lisboa, Carris, Transtejo/Soflusa, Transportes do Barreiro e CP Lisboa, que deverão chegar no final do ano a um prejuízo operacional de 226,2 milhões de euros, mais 1,4% que em 2005. No Porto, o Metro do Porto, STCP e CP Porto deverão sofrer um prejuízo de 88,5 milhões de euros em 2006, mais 3,9%.

O documento da consultora TIS, que tem servido de base a reuniões com as autarquias sobre as autoridades metropolitanas de transporte, revela uma previsão para 2006 de um de gap (insuficiência) de financiamento dos operadores públicos de 161,2 milhões de euros. Este valor, que resulta da diferença entre o défice operacional e a soma das indemnizações compensatórias com os investimentos em frota, deverá ainda assim representar uma melhoria de 10% face a 2005. No entanto, esta melhoria é sobretudo conseguida pelo aumento do investimento em nova frota, já que as perdas operacionais estão a aumentar moderadamente desde 2005, depois de terem registado uma melhoria significativa de 9,9% em 2004.

Metropolitano lidera perdas

As empresas de Lisboa representam a maior fatia do prejuízo, mais de 70% do total. A área metropolitana da capital apresenta também o maior gap no financiamento, da ordem dos 102 milhões de euros. Por empresas, o Metropolitano de Lisboa tem vindo a liderar os prejuízos operacionais no sector, contribuindo com quase metade (111,6 milhões de euros) das perdas nas empresas da capital. Segue-se a Carris, cujas perdas, de acordo com esta estimativa, voltam a subir para 90,7 milhões de euros, depois de dois anos de melhoria, uma situação que poderá ter explicação nos elevados investimentos na renovação de frota em 2005 e 2006.

Apesar de ter vindo a melhorar os resultados, a CP Lisboa, que integra as linhas de Sintra, Cascais e Azambuja, ainda estará no final do ano longe de atingir o breakeven (equilíbrio de exploração) já antecipado pela operadora. A perda deverá ficar em 5,7 milhões de euros. No Porto, a CP deverá registar prejuízos de 15,2 milhões de euros. Somando estas duas unidades, as mais importantes em passageiros, os suburbanos da CP apresentam um prejuízo operacional de quase 21 milhões de euros.

O Metro do Porto deverá fechar o ano com um prejuízo operacional da ordem dos 50,5 milhões de euros, um ligeiro agravamento face a 2005. Nos STCP (Sociedade de Transportes Colectivos do Porto), as perdas deverão também aumentar, moderadamente, para 22,7 milhões de euros.

A Transtejo é o único operador público que deverá registar uma melhoria operacional, de 23%, para 18 milhões de euros negativos. Os Transportes do Barreiro deverão fechar o ano com um défice operacional de 0,8 milhões de euros.


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