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por
João Pedro Henriques, Filipe Morais e Susete Francisco
Uma declaração pública do vereador socialista Dias Baptista levou ontem Carmona Rodrigues a afirmar que tinha um "conjunto de sinais" segundo os quais a ruptura no acordo com o CDS não poria em causa a governabilidade da Câmara Municipal de Lisboa.
O vereador socialista - que integrou a lista do PS por indicação da comissão política concelhia do partido - disse ao DN (ver edição de ontem): "Vamos dar um contributo para manter alguma estabilidade na CML, porque não faz sentido haver eleições antecipadas. Vai-se é alterar a postura do PSD."
Segundo o DN apurou junto de fontes próximas do presidente da autarquia, essa declaração foi suficiente para Carmona se sentir seguro da continuação do mandato. Aliás, o PSD camarário e Dias Baptista já tinham falado no princípio do mandato sobre a possibilidade de entendimentos, numa altura em que Carmona ainda não se tinha aliado a Maria José Nogueira Pinto.
Falando ontem ao DN, o chefe da concelhia do PS em Lisboa, Miguel Coelho, foi claro: "Os mandatos são para cumprir. Não desejo eleições antecipadas. Seriam de uma completa inutilidade, até porque a Assembleia Municipal se manteria a mesma e aí o PSD é maioritário."
Seja como for, não parece estar para já em cima da mesa a possibilidade de eleitos do PS aceitarem pelouros. Miguel Coelho fecha a porta a essa possibilidade mas também Manuel Maria Carrilho (que faltou à reunião onde se deu o incidente que provocou a ruptura na aliança PSD/CDS): "Não nos parece útil que haja uma lógica de queijo limiano na câmara municipal de Lisboa."
Já quanto a eleições intercalares, Carrilho lançou um argumento diferente do do líder da concelhia do seu partido. Trata-se, segundo disse ontem a jornalistas no Parlamento, de um "cenário nunca se pode excluir". Por outras palavras: o PS fala a duas vozes.
O que também está excluído dos cenários é a possibilidade de o PSD reconquistar a maioria absoluta cativando o vereador socialista a quem recentemente a concelhia do PS retirou a confiança política, Nuno Gaioso Ribeiro. Anteontem, na reunião camarária onde se deu a ruptura da aliança Carmona/Nogueira Pinto, o vereador balizou a sua actuação futura. Disse que a autarquia pode contar dele "com o que sempre contou: com trabalho, com participação, com espírito crítico, com propostas e sugestões". Mas sublinhando logo de seguida: "Como oposição, repito-o, como oposição."
Quanto ao PCP e ao Bloco, os argumentos ouvidos pelo DN são praticamente coincidentes: não se deseja que o mandato caia a meio; mas também não se receia que isso aconteça.
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