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Barroso afirma que 2007 vai ser ano de viragem na Europa

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Patrícia Viegas  

O presidente da Comissão Europeia (CE), Durão Barroso, afirmou ontem que 2007 será um ano de "viragem" para a construção europeia, sublinhando que os "desafios comuns exigem soluções comuns". E serviu-se do exemplo do recente "apagão" nalguns países europeus para ilustrar a interdependência existente na União Europeia.

O ex-primeiro-ministro português, que no dia 22 completa dois anos à frente daquela instituição, falava em Estrasburgo, na apresentação formal do programa da CE para 2007 ao Parlamento Europeu. O documento, lembrou Barroso, define como prioridades as questões da energia, do clima, da imigração, do mercado único e da segurança, não esquecendo a necessidade de uma reforma institucional urgente.

O presidente da CE, fazendo mais um discurso optimista, considerou que, no próximo ano, uma UE já com 27 membros celebrará o 50.º aniversário do Tratado de Roma e deverá, nessa ocasião, renovar compromissos e afirmar para onde quer ir "nos próximos 50 anos". Alcançado o objectivo da paz e completado o quinto alargamento (com a entrada da Roménia e da Bulgária), a Europa deverá, agora, responder às expectativas dos cidadãos.

Insistindo na necessidade de uma Europa forte e lembrando que o recente "apagão" serviu para iluminar a interdependência entre os países, Barroso, citado pela Lusa, acrescentou que uma maior integração "deixou de ser um ideal abstracto" e passou a ser uma "necessidade". Aproveitando para assinalar a estratégia apresentada para reduzir em 25% a burocracia administrativa na UE, o presidente da CE disse ainda acreditar que, no próximo ano, estarão "reunidas todas as condições" para procurar uma solução para o impasse institucional provocado pela rejeição da constituição europeia em França e na Holanda. Até porque, lembrou, aquela é uma das prioridades da presidência alemã da UE (no primeiro semestre de 2007).

Fazendo alguns reparos, a eurodeputada François Grossetête, que falou pelo PPE-DE (grupo maioritário/conservadores), aplaudiu um programa "muito mais político". Martin Schulz, líder do PSE (o segundo maior grupo), saudou os objectivos incluídos no programa, mas disse ter "a sensação de já os ter lido em qualquer lado... no programa de trabalho [da CE] para 2006".

Esta tem sido uma semana de debates e votações importantes no Parlamento Europeu, estando prevista para hoje a luz verde dos eurodeputados à controversa directiva dos serviços (ex-directiva Bolkestein), após três anos de discussões acesas e vários tipos de emendas.


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