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Portucel terá o mesmo peso da Galp no índice PSI-20

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Pedro Ferreira Esteves  

A Portucel vai passar a ser uma das empresas com maior influência no curso do PSI-20. A venda de 27,5% que o Estado ainda detinha na empresa - objecto de uma oferta pública de venda (OPV) que terminou na sexta-feira - aumenta a dispersão de capital da papeleira de 3% para cerca de 30%. E coloca a sua capitalização bolsista acima dos 1200 milhões de euros, considerando o preço de 2,26 euros definido para a operação.

Embora só deva regressar ao PSI-20 em Janeiro de 2007 - se o Euronext não realizar uma revisão extraordinária no índice, como fez com a Galp -, a Portucel fica no grupo de empresas com um peso de 2% no seu cálculo. Uma situação semelhante ao que se passa na Galp e PT Multimédia. No entanto, esta dimensão é ainda muito inferior à dos grandes motores do PSI-20, nomeadamente a EDP (20%), PT (18%) e BCP (16%). E abaixo do BES (9%), BPI (8%), Brisa (6%) ou Sonae SGPS e Cimpor (6%).

Forte procura

A injecção de liquidez que esta operação proporciona ao título foi um dos factores que justificaram o forte interesse por parte dos investidores e que se traduziu no facto de a procura dever ter ultrapassado em mais de nove vezes a oferta de quase 197 milhões de acções da Portucel (só hoje serão divulgados os números definitivos). O aumento de capital disperso na Bolsa permite aos investidores uma maior flexibilidade na negociação das acções, uma vez que origina maiores oportunidades de compra e venda de títulos. A sua inevitável colocação no PSI-20 também traz uma maior visibilidade internacional.

As outras razões que levaram investidores institucionais (fundos de pensões e de investimento - segmento de público em geral) e particulares (pequenos subscritores) a participar nesta OPV estão ligadas ao potencial de valorização das acções da Portucel. O preço da operação foi fixado nos 2,26 euros - resultantes da média das cotações nas últimas dez sessões -, o que significa que o desconto de 5% previsto para a venda fica nos 2,15 euros. Um valor dentro do intervalo de dois a 2,20 euros definido para a operação pelo Governo, tendo em conta os objectivos de encaixe no âmbito das privatizações previstas no Orçamento. Os pequenos subscritores beneficiam ainda de um desconto adicional de 5%, que coloca os títulos nos 2,05 euros.

Estes preços representam um potencial de valorização em torno dos 30%, considerando a média das avaliações da empresa feitas pelos principais bancos de investimento portugueses. A sessão especial da Bolsa desta operação terá lugar hoje às 17h00 nas instalações do Euronext Lisboa e contará com a presença, entre outros, dos responsáveis da empresa e do ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos.


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