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Mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso a água potável e 2,6 mil milhões não possuem saneamento básico. Metade da população dos países tem uma doença ligada à falta destes dois bens. E, ironia das ironias, "a água é mais cara para os que têm menos possibilidades económicas", diz o relatório de Desenvolvimento Humano 2006.
Nos bairros carenciados de Nairobi, as pessoas pagam até dez vezes mais por um litro de água do que os habitantes com um nível de vida superior na mesma cidade. As famílias mais pobres de El Salvador, Nicarágua e Jamaica despendem em média mais de dez por cento dos seus rendimentos em água. Já no Reino Unido, gastar mais de três por cento do rendimento familiar em água é considerado "um indicador de dificuldade económica".
O acesso à água canalizada nos lares é de 85% para 20% dos mais ricos; em comparação com 25% para 20% dos mais pobres.
Os números são acompanhados por uma crítica: "As raízes da crise em termos de água prendem-se com a pobreza, com a desigualdade e com relações de poder, bem como com políticas de gestão de água deficientes que aumentam a sua escassez", diz Kermal Dervis, o administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Os autores do relatório estabelecem como prioridade a definição de estratégias para que a população mundial tenha acesso a água potável e a saneamento no mais curto espaço de tempo. Caso contrário, nunca serão cumpridos os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio até 2015.
Isto porque a falta de água potável tem repercussões em todos os níveis da vida humana, além de perpetuar a "desigualdade entre homens e mulheres", sublinha o relatório. As doenças provocadas pela água, como a diarreia e as infecções parasitárias, custam 443 milhões de dias lectivos por ano e atrasam o potencial de aprendizagem de mais de 150 milhões de crianças. CN
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