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Luís Galrão
A Rede Eléctrica Nacional (REN) tem parada há mais de um ano uma proposta de estudo sobre os eventuais efeitos das linhas de alta tensão na saúde humana. Um atraso inexplicável numa altura que se sucedem as queixas e os receios face à radiação electromagnética. "Não compreendo o silêncio da REN uma vez que foi a empresa a encomendar o projecto", lamenta o investigador e líder do projecto Carolino Monteiro, da Faculdade de Farmácia. Ao DN, o gabinete de comunicação da REN diz aguardar uma resposta da associação de empresas do sector eléctrico.
A REN tem na gaveta uma proposta de "estudo sobre os eventuais efeitos biológicos dos campos electromagnéticos" desde Setembro de 2005. O documento resultou de um protocolo celebrado com a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa e o objectivo era "o desenvolvimento futuro de um programa de investigação sobre a temática dos campos electromagnéticos, com a duração de 20 anos", como se lê no relatório de sustentabilidade da empresa, publicado em 2006.
"Projecto é indispensável"
"A REN encomendou-nos uma proposta de estudo, que foi entregue em Setembro [de 2005], após nove meses de trabalho, conforme o que estava acordado", conta Carolino Monteiro, sublinhando que o estudo responde às recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). "É um projecto indispensável à comunidade nacional e internacional", explica, "e insere-se na política de responsabilidade social das empresas do sector".
Apesar dos protestos de populações se sucederem em Portugal contra a construção de linhas de alta tensão junto a habitações, como o DN noticiou há uma semana (ver caixa), a REN afirma que os estudos internacionais "não encontram relação significativa entre estas linhas e a ocorrência de problemas de saúde." A empresa garante, no entanto, que está "consciente da importância desta temática", e foi por isso que estabeleceu o protocolo com a Faculdade de Farmácia, afirmou ao DN. A ambição do projecto é porém problemática para a empresa, e por isso considera que este "deveria merecer uma envolvência mais alargada". Nesse sentido solicitou à ELECPOR (a Associação Portuguesa de Empresas do Sector Eléctrico) "a sua análise para eventual apoio". Segundo a REN, esta entidade "não se pronunciou", pelo que a empresa "aguarda uma resposta".
O director-geral da ELECPOR, João Baptista garantiu por seu turno ao DN que "o assunto foi discutido com os associados depois do Verão", tendo a associação "concluído não ser este um projecto prioritário". João Baptista vai mais longe: "A REN tem conhecimento que a ELECPOR não tem meios para investir em projectos avultados". Fonte da REN classificou porém esta posição como "uma novidade".
Para o líder do projecto, Carolino Monteiro, ele tem, no entanto, "todas as características que o Governo português aponta para o desenvolvimento do País: inovação, emprego científico, choque tecnológico e ligação universidade-empresa". Por todas essas razões, incluindo a saúde das populações, sublinha, "este é um projecto indispensável".
A realizar-se, este estudo deverá contribuir para clarificar a incerteza científica que paira sobre estas questões e colocará Portugal na vanguarda desta investigação.
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