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Votação de braço no ar consuma ruptura no PS da CML

por

João Pedro Henriques  

Está consumada a ruptura na vereação do PS da Câmara Municipal de Lisboa. Anteontem à noite, a comissão política concelhia deliberou por maioria, numa votação de braço no ar, ratificar a decisão do respectivo secretariado de retirar a confiança política ao vereador Nuno Gaioso Ribeiro. A votação foi de 39-9.

Em causa está o facto de este ter dado uma entrevista ao DN (ver edição de 20 de Outubro último) em que considerou o comportamento político de Manuel Maria Carrilho na Câmara como "irresponsável", "ausente" e "displicente", pondo em causa a eficácia da actuação do partido.

A comissão política (que é o órgão deliberativo da concelhia) reiterou também o convite a Gaioso Ribeiro para deixar a vereação , reafirmando confiança política em Carrilho.

Falando ao DN, Gaioso reafirmou que não se tenciona demitir. "Tenho cumprido as minhas obrigações na Câmara, obedecendo ao programa do partido. Vou-me manter porque não vejo razões para sair", disse ao DN.

Segundo acrescentou, a decisão de anteontem da concelhia foi "inconsequente" porque "não está prevista nos estatutos" do partido "nem tem carácter vinculativo". Para Gaioso Ribeiro ninguém na concelhia "contestou a veracidade" do que disse na entrevista ao DN nem ninguém pôs em causa que esteja no executivo camarário a cumprir o programa do PS. Nas declarações ao DN, Gaioso Ribeiro disse também agradecer os "apoios públicos" que recebeu, o mais destacado dos quais foi o do presidente da federação distrital do PS de Lisboa, Joaquim Raposo.

Na reunião da concelhia, onde tanto Gaioso como Carrilho participaram, a decisão de fazer a votação pelo método de braço no ar suscitou forte contestação, nomeadamente da oposição interna ao líder da estrutura, o deputado Miguel Coelho.

Leonor Coutinho, que nas últimas eleições internas encabeçou uma lista alternativa à de Miguel Coelho, disse ao DN ter protestado contra o método de votação, argumentando que estava em causa uma deliberação sobre uma pessoa (Gaioso Ribeiro). "É pena que o bom senso não tenha imperado", disse, considerando ainda que "o bom senso era não adoptar medidas de exclusão mas antes medidas de conciliação". "Nuno Gaioso Ribeiro não disse nada que não se soubesse desde já", acrescentou.

Já na direcção da concelhia a palavra de ordem é tentar esvaziar aquilo que Miguel Coelho qualifica de "incidente interno". "Não tenho mais nada a dizer", declarou ao DN. Segundo acrescentou, a votação foi de braço no ar (e não por voto secreto) porque no PS esse "é o costume quando se trata de ratificar decisões".

Para este dirigente, o problema está resolvido, mesmo que Gaioso não se demita da vereação. "Deixa de ter confiança política do PS. Tudo aquilo que ele disser não compromete o partido." A concelhia prepara-se para o comunicar formalmente à presidência da autarquia.


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