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Aborto mata 68 mil mulheres

por

Rute Araújo  

Todos os anos, 68 mil mulheres morrem devido a abortos feitos em condições precárias e milhões têm complicações graves, muitas delas irreversíveis. A conclusão é do estudo Aborto Sem Condições de Segurança: a Pandemia Evitável, publicado ontem pela revista científica inglesa The Lancet.

A grande maioria das 20 milhões de interrupções da gravidez feitas anualmente por pessoas não qualificadas ou em condições precárias regista-se nos países em desenvolvimento - representando 97% dos casos. De acordo com as estatísticas, em 2000 a Ásia registava os números mais preocupantes - 10,5 milhões -, logo seguida pela América Latina (3,7 milhões) e África (4,2 milhões). Mas o fenóme- no está longe de ficar pelos países mais pobres. Na Europa, todos os anos ocorrem 500 mil abortos nestas condições. E os especialistas alertam para o facto de as estatísticas estarem aquém da realidade.

As principais causas de morte são hemorragias, infecções ou envenenamento devido às substâncias utilizadas.

Os autores do estudo sublinham que "acabar com a epidemia silenciosa do aborto sem condições é um imperativo de saúde pública e de direitos humanos". Apesar da frequência com que ocorre, "continua a ser um dos problemas de saúde pública mais negligenciados no mundo".

O estudo lembra que a legalização desta prática "é um passo necessário mas, só por si insuficiente, para aumentar a saúde da mulher". E refere também que os métodos contraceptivos podem reduzir, mas nunca irão acabar com este cenário.

Dando como exemplo o caso da Holanda, referem que as políticas de despenalização e de promoção dos métodos contraceptivos tornaram este país num dos que registam o menor número de interrupções da gravidez no mundo.

O mesmo não aconteceu com a Índia, que legalizou o aborto há décadas, mas onde o acesso a cuidados de saúde e métodos contraceptivos se mantém muito deficitário. Mas a Roménia - que também despenalizou a prática com o presidente Ceausescu - é apresentada como um caso de sucesso, provando que "o acesso a métodos abortivos seguros melhora a saúde da mulher".


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