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Lucros dos maiores privados sobem 20%

por

Paula Cordeiro  

Os lucros dos quatro maiores bancos privados cresceram cerca de 20% nos primeiros nove meses de 2006, impulsionados pelos ganhos da actividade internacional e pela redução de algumas provisões.

A subida das taxas de juro está igualmente a ajudar a banca, com a margem financeira a recuperar, enquanto as comissões cobradas a clientes por diversos serviços bancários apresentam subidas superiores a dois dígitos.

Os lucros obtidos pelas maiores instituições privadas - Millennium bcp, Banco Espírito Santo (BES), Santander Totta e Banco BPI - totalizaram 1395 milhões de euros em Setembro último, contra 1168 milhões em igual mês do ano passado, o que resultou num aumento de 19%.

Com o negócio bancário doméstico a crescer pelo aumento do volume, os bancos estão já a colher os frutos dos seus investimentos nas suas operações internacionais, que começam a ganhar cada vez mais peso no total dos lucros. Neste ponto, o destaque vai para o BPI, cujos lucros obtidos na sua operação angolana, através do Banco de Fomento Angola, já representam 24,3% dos lucros, contra 19% em Setembro de 2005. No caso do Millennium bcp, os seus bancos na Polónia e na Grécia já correspondem a 12% do resultado, contra 9% em igual período do ano passado.

No caso do BES, a actividade internacional perdeu peso face ao verificado em Setembro de 2005, devido ao crescimento mais expressivo da actividade doméstica (mais 68,5%) nos primeiros nove meses de 2006, representando agora 19% do total dos lucros, contra 30% em igual período do ano passado.

A subida dos juros está igualmente a dar uma ajuda aos bancos. A margem financeira cresceu 8% no caso do Millennium bcp e Totta e 14,9% no BES, com o BPI a apresentar um crescimento mais modesto, de 5,7%. Apesar de a subida de juros significar igualmente maiores custos de financiamento externo por parte da banca, o chamado funding, estas instituições estão a recorrer a outras fontes de financiamento, quer através do lançamento de operações de titularização quer obtendo mais recursos junto dos seus clientes.

Outra das razões para o aumento dos lucros bancários está na redução das chamadas imparidades, ou seja, um novo tipo de provisões não impostas pelo Banco de Portugal, surgidas com a implementação das novas normas contabilísticas internacionais. Os bancos têm vindo a reduzir estas provisões, o que poderá significar uma redução de risco económico das operações de crédito, o fim a que se destinam as imparidades. Segundo um analista contactado pelo DN, a redução destes valores significa igualmente processos de abate de crédito vencido, os chamados write-offs. Desta forma, libertam provisões, permitindo o aumento de lucros, melhorando igualmente o rácio de crédito vencido.

Até Setembro, Millennium bcp, BES e Santander Totta reduziram estas provisões, desconhecendo-se este indicador em relação ao BPI.


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