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por
Maria João Caetano
Iuri Albarran (foto)
A ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, e o seu secretário de Estado, Mário Vieira de Carvalho, fizeram questão de estar ontem na apresentação da temporada do Teatro Nacional D. Maria II (TNDMII) para deixar claro, mais uma vez, o seu apoio ao director Carlos Fragateiro: "Estamos certos que esta programação responde de um modo muito claro e muito forte às expectativas que nós colocámos nesta direcção e que corres- ponde àquilo que me parece que devem ser as apostas de um teatro nacional", afirmou a ministra.
E que apostas são essas? Na língua portuguesa e na lusofonia, no multiculturalismo e na internacionalização, disseram, em uníssono, a ministra e o director. No próximo ano, para acompanhar a presidência portuguesa da União Europeia, o Teatro Nacional não vai fechar durante o Verão. Estão também agendadas para o segundo semestre de 2007 aquelas que foram apresentadas como as duas principais apostas da temporada: Terra (Nunca) Prometida, texto de Sanchis Sinisterra a partir de uma oficina com autores portugueses; e Budapeste de Chico Buarque (aguarda-se a presença do autor em Portugal, no final do mês, para revelar mais pormenores).
Mais espectadores
Nomeado em Janeiro, Carlos Fragateiro surpreendeu-se ao descobrir que, nos últimos dez anos, o TNDMII "tem em média 40 mil espectadores por ano", quando, na sua opinião, "um teatro nacional deveria ter pelo menos cem mil espectadores". Este será, portanto, o desafio da primeira temporada com a sua assinatura.
Uma temporada, assumiu, centrada na língua portuguesa - nos seus vários sotaques. "Esta é a casa da língua portuguesa", disse. Não será uma programação feita integralmente de autores portugueses, como chegou a ser falado, mas, ainda assim, de Setembro deste ano a Dezembro do próximo ano, contabilizam-se 15 produções com textos de autores portugueses, três de brasileiros (além de Buarque, Lygia Fagundes Telles e Diniz Machado) e quatro de africanos (Mia Couto, Agualusa, Manuel Rui e Ondjaki).
Entre os portugueses, estão, por exemplo, Camilo (o Amor de Perdição será apresentado no átrio do teatro, à meia-noite, numa co-produção com o colectivo As Entranhas), Luiz de Camões (o italiano Gianluigi Tosto aceitou o desafio de pôr Os Lusíadas em palco), Inês Pedrosa (Jorge Listopad encenará Do Grande e do Pequeno Amor), ou Gonçalo M. Tavares (Uma História do Século XX, encenada por João Mota).
Dos "clássicos internacionais" sobressai um ciclo dedicado a Shakespeare: Sofia Portugal vai encenar Ladies Macbeth, incursão de José Luís Peixoto pelo universo feminino do inglês; o encenador polaco Andrzej Kowalski trabalhará com um grupo de guineenses para fazer Namanha Makbunhe; Nuno Cardoso encena Ricardo II, texto que lhe servirá ainda para um projecto com não-actores, PRJX2; e Emmanuel Demarcy-Mota faz Proezas de Amor Perdidas.
Em Janeiro, o cineasta José Fonseca e Costa estreia-se na encenação teatral com Pequenos Crimes Conjugais, de Eric-Emmanuel Schmitt, na qual dirigirá Paulo Pires e Margarida Marinho. E, em Outubro, o TNDMII co-produz a remontagem, no Teatro Aberto, de Sweeney Todd, de Sondheim, encenada por João Lourenço.
A segunda Mostra Internacional de Teatro (MITE, em Julho) e o festival 'Extremadura em Lisboa' (Fevereiro) compõem o núcleo central da programação estrangeira, na qual se destaca ainda uma co-produção com a Bienal de Veneza, onde se estreará Goldoni Terminus a partir de Goldoni (em Julho na Sala Garrett).
No total, a programação anunciada custa três milhões de euros, o equivalente a cerca de metade do orçamento do teatro (mais de cinco milhões de euros de dotação estatal mais 800 mil a um milhão de euros de previsíveis receitas de bilheteira).
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