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Arte Nova está ameaçada por falta de apoio para o restauro de edifícios

por

Júlio Almeida

em Aveiro  

Aveiro organiza, a partir de hoje, um encontro internacional alusivo a uma corrente arquitectónica que deixou marcas na cidade, a Arte Nova. Os apelos para a salvaguarda de imóveis de interesse esbarram na ausência de apoios para obras de restauro.

Não sendo proprietário, José Gonçalves confessa que está muito afeiçoado à casa onde reside há 46 anos. Este antigo empregado do ramo hoteleiro vê-se, não raramente, a fazer de cicerone a turistas que lhe aparecem à porta atraídos pelo colorido das flores desenhadas em azulejos Fonte Nova, datados de 1911.

Inserida no roteiro Arte Nova de Aveiro, a fachada do número 146 da Rua Almirante Cândido dos Reis (junto à estação da CP) esconde as mazelas do interior. Aos 76 anos, José Gonçalves já não arrisca montar o andaime para pintar as paredes ou limpar os estuques artísticos dos tectos. Cansou-se, também, de pedir ajuda à câmara para restauros mais arrojados. "Imploram para não mexer em nada, mas até hoje ninguém aqui veio para aguentar isto em pé". Com projecto atribuído ao arquitecto Francisco Silva Rocha, a antiga residência Francisco Rebelo dos Santos reflecte a influência do estilo Arte Nova que na região de Aveiro, além da pedra e do ferro forjado com efeitos decorativos, teve no uso dos azulejos uma marca particular.

Muito mais para salvar

Nos últimos anos, a Câmara de Aveiro tem mobilizado investimentos importantes para a preservação de imóveis com traços Arte Nova. A antiga capitania, desde 2004 edifício-sede da Assembleia Municipal, foi salva da ruína com muita pressão das forças vivas. Seguiu-se a aquisição da chamada casa do Major Pessoa para instalação de um centro de estudos e museu Arte Nova. A conclusão da remodelação deverá acontecer, segundo o vereador Miguel Capão Filipe, "até ao final deste ano".

O esforço público tem sido acompanhado por alguns privados, como aconteceu com o restauro da fachada do edifício das "Quatro Estações" ou da residência de Francisco Silva Rocha, que chegou a colaborar com Ernesto Korrodi. Mas não foi possível evitar que outros imóveis tenham sido demolidos, como aconteceu há poucos anos com a Taverna de Sá.

Apesar de confrontada com grandes restrições financeiras, a actual Câmara projecta ter uma acção mais directa no restauro do património construído através de uma sociedade de reabilitação urbana e poderá intervir na residência Francisco Rebelo dos Santos ou a antiga sede da Cooperativa Agrícola.

Para já a prioridade tem sido o estudo e divulgação. O seminário "Arte Nova, uma porta para o futuro" que decorre na capital da Ria a partir de hoje e até sexta-feira é mais uma oportunidade para trocar experiências entre estudiosos portugueses e estrangeiros.


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